O Ministro da Saúde tem voz de velório e cara de coveiro

O país é um trem lotado de passageiros, com um maquinista mal-intencionado na condução, indo em direção a uma ponte quebrada. Muitos estão gritando para alertar, mas não são ouvidos. Dentro do trem, os passageiros nem sabem do perigo que estão passando e lutam contra as orientações de não circularem, uma vez que recebem informações incorretas e desencontradas.

Foi esta a imagem que me veio a cabeça e me causou um sentimento de profunda tristeza, após ouvir a primeira entrevista coletiva do atual Ministro da Saúde, Nelson Teich, concedida só após cinco dias da sua posse.

O anterior, Ministro Mandetta, era acusado de espalhar pânico e incentivar o isolamento social quebrando a economia, mas eu me sentia mais seguro com os números, a gravidade do problema e as orientações que recebia diariamente da equipe que estava no comando das ações contra o coronavírus. Agora, me sinto muito perdido e sem um norte.

A entrevista de ontem começou com o chefe da secretária de governo da Presidência da República, General Luis Ramos, cobrando da imprensa que noticiasse coisas boas e parasse de ver tragédia em tudo. Imediatamente lembrei-me dos tempos do General-presidente Médice, que mandava torturar jovens estudantes nos porões militares, mas divulgava as fotos sua no estádio de futebol, com a musiquinha de fundo “este é um país que vai pra frente…”

Depois, quando passaram a palavra para o Ministro da Saúde, a tragédia foi completa. O Ministro sentou-se no comando do trem em movimento e começou a perguntar onde estava o manual de funcionamento da “coisa”. Mostrou uma grande preocupação com a economia, com os hospitais privados e com as doenças não COVID_19, que são as outras doenças não provocadas pela contaminação do coronavírus. É como se o maquinista do trem estivesse mais preocupado com os desgates das engrenagens do que com a ponte quebrada que se aproxima e a vida dos passageiros em perigo.

O Ministro falou em informações e consolidação das informações para uma leitura melhor, quando todo o Brasil sabe que o país tem o sistema de dados o DATASUS, com todas as informações consolidadas e possível de ser lida a qualquer momento. Todos sabemos que o coronavírus é novo, temos poucas informações sobre ele e o distanciamento e o isolamento são remédios duros, amargos, mas os melhores até aqui. Todos pensávamos que as outras doenças não deixaram de ser tratadas pelo SUS, até porque os governadores estão separando os leitos para COVID-19 dos leitos para outras doenças.

O Ministro da Saúde nos enrolou na entrevista com um único objetivo, atender a determinação do Presidente da República de abrir a economia mesmo que isso signifique mortes, pois os velhos que morrerão, para ele serão mortes inevitáveis e não farão falta, o importante é ver tudo como uma gripezinha e preservar o ganho das empresas, pois emprego e crescimento econômico que é bom, não existem desde o início do atual mandato, quando o desemprego chegou a 13 milhões de posto de trabalho fechados e o dólar passou de R$5,00.

Infelizmente, estamos perdidos agora e no futuro. Entregaram o trem para os vendedores de sucatas, de trens novos e de dono de funerária.

São Jorge Guerreiro, Santo que derrotou o dragão da maldade, nos proteja nessa nossa viagem e faça o trem parar antes da ponte, poupando vidas por um milagre de sua interseção junto ao nosso Deus.

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