Pensar o Brasil para depois da nossa vitória sobre o coronavírus.

Como vamos recuperar os empregos perdidos na pandemia, empregar os que já estavam desempregados antes dela e reerguer a nossa economia, depois que derrotarmos a COVID-19?

No cenário futuro, repleto de incertezas, ainda não é possível saber como será o “novo normal”.

Poderemos sair livremente às ruas, mantermos o ritmo de trabalho no meio público e as relações pessoais, voltaremos a nos tocar, nos abraçar, viver do mesmo jeito que vivíamos antes de sermos atingidos por este vírus desconhecido da ciência e que ainda nem tem perspectiva de vacina ou cura através de remédio eficaz?

São perguntas inevitáveis que precisam de respostas múltiplas, da união e dos esforços de todos, independente de lado e da posição que ocupamos na vida.

Antes da pandemia, o Brasil já acumulava um cenário econômico de crescimento negativo. Treze milhões de brasileiros estavam na condição de desempregados. Outros viviam em subemprego e uma parcela significativa trabalhava no mercado informal. O dólar subia, as bolsas despencavam e as medidas econômicas baseadas no liberalismo não davam sinais positivos de retomada do crescimento.

A necessidade de defender a vida das pessoas ameaçadas pela propagação veloz e da contaminação por um vírus novo; de proteger o sistema de saúde de um colapso; obrigou os brasileiros – como obrigou a população mundial – a adotar medidas amargas e optar pela vida, deixando a economia e o emprego em segundo plano.

Partimos do distanciamento, isolamento social e, em alguns lugares, chegamos até o confinamento (que o excesso de estrangeirismo chama de lokdown).

Todos sofreram diminuição de ganhos, mas foi o comércio, os serviços, os profissionais liberais, a área cultural, o turismo, as atividades que mais tiveram perdas com as medidas de combate ao coronavírus. As médias, pequenas empresas e os trabalhadores informais, viram suas pequenas popança derreter para sustentar os tempos de dificuldades.

Antes da crise sanitária, o projeto econômico do governo do presidente Jair Bolsonaro, falava em crescer diminuindo as despesas primárias, vendendo ativos, simplificando a burocracia, facilitando a entrada de investimentos estrangeiros.

O plano econômico focado simplesmente no mercado, foi contrariado com a necessidade do Estado forte, o único capaz de socorrer a população, através do seus sistema público de saúde, alias o maior do mundo, com aporte de recursos para área da saúde. O Estado foi chamado a auxiliar os estados e municípios que perderam receitas, disponibilizar ajuda as empresas e criar o auxilio emergencial para milhões de brasileiros sem renda.

O número de pessoas que acessaram o aplicativo para receber o auxilio de tão expressivo, assustou, desconfiávamos do número de pessoas vivendo em estado de pobreza e agora sabemos o CPF. As filas nas agências da Caixa Econômica e nas Lotéricas sensibilizaram os chips eletrônicos das máquinas produtoras de imagens registrando as enormes filas e os muitos acessos causou bug no aplicativo criado para o cadastro de quem tinha direito ao recurso.

O Presidente da República, dispondo apenas de uma carta econômica na manga, a receita liberal do Ministro Paulo Guedes, apelou para o malabarismo retórico tosco, grosseiro, violento, insensível, de tentar forçar as pessoas a voltar ao trabalho, quebrando as recomendações da OMS, mesmo isso significando risco de morte e pressão absurda sobre o sistema de saúde.

Os governadores e prefeitos sentiram a pressão da população acometida da infecção viral de um lado, do outro a reação de setores insuflados pelas declarações presidenciais, mas seguiram adotando as medidas de isolamento social e restrições das atividades econômicas para salvar o maior número possível de pessoas.

Tudo vai passar, toda pandemia vem, provoca estragos e vai, mas deixa seus efeitos e a responsabilidades para que as pessoas se reinventem e busquem superar as dificuldades que ficaram.

O Brasil é gigante, diverso, rico, criativo, já superou outras e superará mais esta crise.

A primeira lição é saber que todos os país brigarão pelas suas economias e nos devemos brigar pela nossa. Segundo, devemos olhar o que deu certo, o que funcionou e aperfeiçoa-lo. Terceiro é ver quem suportou e deu mais sacrifício, estes precisam ser compensados, apoiados, incentivados. A quarta, é ver quais as mudanças e novos hábitos ficarão para sempre em nossas vidas.

O Estado que todos diziam que só atrapalhava, era pesado, consumia muito recurso, foi o que cumpriu o papel decisivo no socorro as empresas, às pessoas e será ele que socorrerá o país na sua reconstrução econômica.

A pacto federativo não funcionou. A centralização em Brasília foi derrotada. O papel da União deve ser revisto. Os estados e os municípios foram decisivos na defesa das medidas sanitárias e na assistência direta às pessoas que precisaram de atenção à saúde.

O país deve reconhecer que o SUS foi um invenção brasileira que deu resultado, mas que precisará ser aperfeiçoado, com investimentos, tecnologia, incluindo aporte de recurso para pesquisa e formação de profissionais de saúde.

As empresas nacionais, com destaque as médias e pequenas, a agricultura familiar, cooperativa, os profissionais liberais, o trabalhador informal, o setor cultural, turístico e esportivo pagaram um preço alto para ajudar o país e serão elas que devem ser o alvo de todas as atenções de um plano econômico, baseado no pleno emprego e na sustentabilidade ambiental.

Os hábitos de higiene, distanciamento, de diminuição no consumo de supérfluo, o trabalho em casa que o vicio do estrangeirismo chama intimamente de home office), as compras remotas (lá vem de novo, on line), tudo isso ficará e mudará nosso modo de viver.

As nossas cidades, nossas áreas de lazer, nossas ruas e as nossas moradias, o nosso transporte público, precisam de novos formatos.

Os barracos das favelas e das baixadas, com casas apertadas, não são apropriadas para suportar outras crise sanitária e uma plano nacional de habitação digna se faz necessário.

Enquanto superamos a crise e lutamos para vencer o coronavírus, devemos logo começar a trabalhar para o futuro, que está bem ai, com a certeza que vamos sair dessa mais fortes e mais brasileiros.

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