O Pará e a Região Metropolitana de Belém, ainda não estão prontas para o relaxamento, segundo estudos da UFPA, que contradizem as autoridades estaduais

Foto: O Liberal
Foto: O Liberal

As pessoas estão na rua, voltando a circular, muitos sem máscaras. As empresas começam a relaxar e abrir para funcionar como se o vírus tivesse, como disse o dr. Marcio Maués, cansado de tomar açaí, embarcado no avião de volta para Wuhan, na China e nos deixado livres para circular e voltar a vida como vivíamos antes.

As pessoas estão sendo induzidas a pensar que o perigo passou pelas autoridades públicas, notadamente o Governo do Estado do Pará, com o slogan “Retoma Pará”, como se estivesse em campanha eleitoral apresentando bandeiras eleitoreiras.

O Estado justificou sua posição de relaxamento com base em um estudo da UFRA – Universidade Federal Rural, mas no dia 01 de junho, contrariando os estudos no qual se baseou a equipe do Governador, o Laboratório de Tecnologia Social da UFPA, emitiu um nota técnica, assinada pelos doutores:

Prof. Dr. Carlos Renato Lisboa Francês1 (rfrances@ufpa.br), Prof. Dr. Marcelino Silva da Silva1 (marcelino@ufpa.br), Prof. Dr. André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho2 (andre@icmc.usp.br), Prof. Dr. Solon Venâncio Carvalho3 (solon@lac.inpe.br), Prof. Dr. Nandamudi Lankalapalli Vijaykumar (vijay.nl@inpe.br), Profa. Ma. e doutoranda Evelin Helena Silva Cardoso1 (evelinhelena@ufpa.br), Profa. Ma. e doutoranda Maria da Penha de Andrade Abi Harb1 (mpenha@ufpa.br), Profa. Ma. e doutoranda Lena Veiga e Silva1 (lenaveiga@ufpa.br), Mestrando Carlos André de Mattos Teixeira1 (carlos.mattos@itec.ufpa.br), e Mestrando Vitor Hugo Macedo Gomes1 (hugom4cedo@gmail.com).

Conheça a integra da Nota Técnica:

Em conclusão, a Nota Técnica dos especialistas, aponta em primeiro lugar, a subnotificação dos casos de infectados, em 10 vezes, no caso de Belém, chamando a atenção para este fato de forma enfântica: “Portanto, não é razoável admitir-se que as políticas públicas tomem como base exclusivamente os dados oficiais (notoriamente subnotificados), sob pena de planejar o sistema já em níveis de colapso.”

A nota segue afirmando que não é possível se dizer que estamos com a curva de infectados e de óbitos em declínio por causa de defasagem da ordem de dezenas de dias entre o fato, a notificação e o ingresso dos dados no sistema, gerando um estoque de casos.

Soma-se a defasagem, o assumido caso, como se política de estado, de subnotificação que ocorre pela falta de testagem e pela dinâmica imposta pelos protocolos de mortes potencialmente associadas à COVID-19.

A Nota Técnica chama atenção para o completo desconhecimento do comportamento do vírus e seus efeitos: “Assim, fatores como o R0, ciclo da doença, imunidade, período de incubação, número de assintomáticos, não estão claramente definidos internacionalmente, o que leva à constatação de que qualquer suposição acerca do comportamento da doença tomado como uniforme seja mera especulação e não deva ser considerado, de maneira segura e responsável, por gestores públicos em suas tomadas de decisão.”

No parágrafo final das conclusões, que reproduzo na íntegra, os especialistas são duros ao questionar as autoridades estaduais e as declarações do Ministro Mandetta, afirmando que não se pode asseverar que estamos em curva descendente da pandemia:

À luz do exposto, entende-se que, a partir dos dados oficiais, tomando-se como referências os mais relevantes estudos realizados no Brasil e internacionalmente, não há como afirmar inequivocamente que o Pará ou a Região Metropolitana de Belém esteja já na curva descente da pandemia. Assim, com base na prudência, em não havendo vacina ou medicamentos comprovadamente eficazes, a única estratégia para desacelerar a pandemia continua sendo o isolamento social.

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