Quem é Parsifal Pontes, preso pela PF, na operação S.O.S?

Os políticos importantes do país sempre contaram com a figura dos operadores financeiros e políticos. As vezes, um só faz as duas missões. Collor tinha o Paulo Cesar Farias, morto no curso dos escândalos que resultaram no impeachment do primeiro presidente eleito pelo voto direito após redemocratização do país. FHC, contava com a ação de Sergio Mota, aquele que privatizou as teles e a Vale do Rio do Doce. Lula, tinha como braço esquerdo Zé Dirceu e Delúbio Soares, alcançados no escândalo do Mensalão. O operado de Temer, era o Coronel Lima, acusado de ser o caixa forte e pagar até as despesas pessoais da filha do ex-Presidente. A figura de Alkmin e dos tucanos paulista está ligada a Paulo Preto, o homem da DERSA e das obras viárias operadas pela Construtora Odebrecht.

O operador de Helder Barbalho é mais que um simples operador financeiro e político. Funciona como se fosse um tutor (um José Bonifácio Andrade e Silva no tucupí) designado pelo pai, Jader Barbalho, para cuidar da carreira e dos passos políticos do filho, o futuro “Rei do Norte”.

Que ambição!

Parsifal exerce esse mister desde a primeira campanha de Governador do Estado, quando Helder foi derrotado por Simão Jatene. Foi para Brasilia quando Helder exerceu os cargos de Ministro. Organizou a segunda campanha, coordenou a transição após a vitória eleitoral, montando em seguida o Governo.

Foi Parsifal quem indicou os auxiliares diretos de Helder, inclusive o Chefe da Policia Civil, Alberto Teixeira, que é seu cunhado, acusado de fazer espionagem contra adversários políticos e suspeito de atrapalhar as investigações em curso, usando um equipamento sofisticado, adquirido por R$ 5 milhões.

O Ministro Falcão e o delegado da PF, que deu a voz de prisão para Parsifal, até suspeitam da importância do preso, mas quem é da política tem certeza do seu papel decisivo na vida, na carreira e na administração do mandato de Helder Barbalho.

Parsifal Pontes é uma pessoa de fino trato, fala mansa, usa o vernáculo como poucos, é afável, um bom interlocutor e de cultura vasta, capaz de sustentar um papo por muitas horas.

No seu perfil oficial consta que já lecionou em uma universidade americana:

“Parsifal Pontes é formado em direito e engenharia mecânica, já foi professor em Chicago (EUA), prefeito de Tucuruí, Secretário Geral da Associação Brasileira de Prefeitos, Presidente da Associação dos Municípios do Araguaia e Tocantins – AMAT, Presidente da Federação das Associações de Municípios do Pará (FAMEP), Presidente da União dos Municípios Energéticos do Brasil, Presidente do Consórcio dos Municípios Paraenses Alagados pelo Rio Tocantins, Membro efetivo do Conselho Fiscal da Confederação Nacional dos Municípios, Presidente do Consórcio dos Municípios Paraenses Alagados pelo Rio Tocantins, Coordenador Regional da FUNASA no Estado do Pará, Defensor Público do Estado do Pará, Deputado Estadual e Presidente da Companhia Docas do Pará (CDP).”

Parsifal Pontes foi primeiro vice-prefeito de Tucuruí, por onde iniciou sua carreira política como companheiro de chapa do Prefeito Navegantes, ocasião em que estimulou a divisão territorial municipal, resultando em grande vantagem, uma vez que Tucuruí praticamente não tem zona rural e recebe uma bolada mensal de taxa de uso de recursos hídricos proveniente da Hidrelétrica.

Sucedeu o prefeito Navegantes e exerceu o cargo de prefeito por duas vezes, quando tencionou voar muito mais alto, incluindo uma disputa ao cargo de vice-governador, momento em que ganhou definitivamente a confiança de Jader Barbalho, seu companheiro de chapa na disputa em que foram derrotados por Almir Gabriel, transformando-se em homem forte do emedebismo paraense.

Apesar do Governador Helder Barbalho, através de nota pública, dizer que não tem qualquer irregularidade em seu governo, o Diário Oficial do Estado amanheceu com duas exonerações para uma mesma pessoa, Parsifal Pontes. O ex-chefe da Casa Civil foi exonerado de duas secretarias de estado, cargos que ocupava cumulativamente

A prisão de Parsifal, dada a sua importância no cenário político e na carreira de Helder Barbalho é, sem dúvida, um choque para classe política paraense e uma desarrumação em todo o esquema montado para que o MDB paraense mantenha-se no poder.

Parsifal Pontes é profissional e dele não espere delação premiada ou outra e qualquer atitude amadora. No mais, devemos aguardar os desfechos das investigações e confiar na Justiça brasileira para que não haja injustiça e nem impunidade.

P.S.: Após publicar este texto, lembrei-me que o esquema de poder dos Barbalhos sempre contou com préstimos de operadores, seja político ou financeiro. Por isso, resolvi acrescentar este post scriptum, e até peço desculpas a quem já leu o artigo sem ele, com o nomes de alguns destas figuras importantes dos bastidores da política paraense, que hoje estão em outros cargos e até sumiram do cenário político. São eles: Henry Kayath, Hamilton Guedes, Domingos Juvenil, Manoel Ribeiro, Artur Tourinho, Cel Adalvani, Fernando Ribeiro, Antonio José. Não estão todos aqui e alguns ficaram pelo caminho da vida ou receberam alguma sinecura como paga pela sua fidelidade ao grupo.

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