O que Colatina tem a ver com Belém e com o candidato Eguchi?

Em 2014, na campanha para o Governo do Pará, visitei a Fazenda Colatina, em Tomé Açu

Vi uma postagem do Prefeito de Colatina, cidade do Espírito Santo, apoiando o candidato Delegado Federal Eguchi e me perguntei: o que Colatina tem a ver com Belém ou com o Pará?

Como nada na vida é por acaso, ou como diz a frase bíblica, que muitos gostam de repetir, tirando-a do contexto, em que escreve São Paulo: não caí uma folha sem que Deus não queira.

Lembrei-me da ligação triste de Colatina, com Tomé Açu e com o Pará. Não por acaso,Tomé Açu, que nesta eleição, elegeu Carlos Vínicos, acusado do assassinato, por meio de pistoleiros, do advogado Jorge Pimental e do empresário Luciano Capacio, é o município de origem do candidato Eguchi.

Em Tomé Açu, tem uma comunidade denominada Colatina (foto). Era a área da antiga Fazenda Colatina, uma terra grilada por um madeireiro oriundo do Espirito Santo. Como muitos de lá, este grileiro migrou para o Tomé Açu em busca de extrair madeira e arrecadar terra ilegalmente.

O homem da Colatina, devastou, escravizou, alugou pistoleiros, implantou o terror em uma comunidade pobre, de nativos e negros, um quilombo de Tomé Açu.

O ano era 1984, o dia era 04 de julho, por volta de meio dia, Benedito Bandeira, o Benezinho, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tomé Açu, saia da sede da entidade, quando foi impiedosamente alvejado pelos tiros despejados pelas pistolas de Jaracy Pedro de Souza, José Machado do Nascimento e Natham, contratados pelo fazendo capixaba, Acrino Azevedo Breda, que havia grilado uma grande área de terra, expulsando os antigos moradores, para ali estabelecer a Fazenda Colatina.

A comunidade revoltada com a execução de Benzinho, destruiu a delegacia e matou os três pistoleiros, que receberam CR$ 5.000,00, do fazendeiro Breda, que nunca chegou a ser preso pelo caso.

Os capixabas que pra cá vieram com o mesmo proposito, se espalharam e muitos deles seguiram grilando terra e derrubando floresta pelo Pará a fora, cometendo crimes ambientas. Eguchi, amigo dessa gente, tentou ser o superintendente do Ibama para, quem sabe, ajudá-los na saga de destruir a Amazônia.

O passado é revelador. Por isso, a tentativa de eleger Eguchi representa muito mais que tomar posse de Belém, significa a vitória de pensamentos atrasados, onde o trabalho, o trabalhador e a natureza não criam riquezas e nem desenvolvimento, servem apenas ao proposito da ganância. O quem tem valor para eles é aquele que grila, devasta, mata e destrói.

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