Torcida do Paysandu, após a derrota, faz conta da classificação

O Clube do Remo venceu o clássico “Rei da Amazônia” e conquistou a classificação para série “B” do Campeonato Brasileiro. Remo e Paysandu, os dois times paraenses, estão na série “C”. Da série “C” terão acesso a outra série apenas dois concorrentes. O Remo conquistou uma vaga, a segunda vaga pode ser do Paysandu, mas depende de combinações de resultados e das vitórias necessárias para que isso ocorra.

Os torcedores do Papão, após a derrota, passaram o dia seguinte fazendo contas e levantando hipóteses, segundo as regras do campeonato, para ter certeza das chances de classificação do Clube.

Vendo a movimentação da torcida alviceleste, fiquei impressionado com a habilidade destes torcedores para interpretar as regras e fazer cálculos. Pessoas humildes e apaixonados que são, conhecem cada detalhe e sabem como contar os pontos, saldo de gol, mando de jogo, então pensei na hipótese deles usarem estas mesmas habilidades para entender as regras políticas eleitorais do nosso país e assim deixar de ser ludibriado pelas velhas raposas da política.

As regras eleitorais são complexas, mas nem tanto. Acho que até mais fáceis que as regras do “Brasileirão”. Ao avançar neste meu devaneio, logo parei e vi que não ia ser possível. Falta um elemento crucial nesta possibilidade, a paixão.

O torcedor paraense é apaixonado pelo futebol e o futebol lhe dá emoções, prazeres, tristezas, mas também muita adrenalina. A política paraense, ao contrário, só dá ao povo a decepção. Decepção é um sentimento que nos amolece, provoca morrinha, indignação e vontade de esquecer, de pular essa parte.

O eleitor nunca vai ser um torcedor enquanto a política não for uma atividade prazeirosa, com resultados, feitas por pessoas que em campo dão tudo de si para derrotar os adversários.

Os elementos para ganhar o coração das pessoas a política reune, mas os jogadores, todos com contratos milionários, são catimbeiros, não suam a camisa e dentro de campo não passam de uns pernas-de-pau.

Na política ganhar o jogo significa cumprir os objetivos da nossa Carta Constitucional, que no seu art. 3.º diz: “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

Os adversários a ser enfrentado são a corrupção, a concentração de renda, a incompetência, a mentira, o jeitinho. Os times que o time da política tem que enfrentar são muitos e podem ser derrotados, basta jogar com amor a camisa e respeito a torcida, como fez o Clube do Remo no último Re X Pa.

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