Cesta básica consome a dignidade do brasileiro

A pesquisa do DIEESE aponta que um belemenses precisa gastar R$ 507,31 mensal, por mês, para comprar alimentos da cesta básica. Isto em janeiro de 2021. Hoje este valor é muito maior em face dos constantes aumentos de preços dos produtos que fazem parte da cesta básica.

O DIEESE afirma que o Salário Mínimo para que um trabalhador brasileiro pudesse sustentar uma vida modesta seria de R$ 5.657,66, mas, como todos sabem, o valor deste Salário hoje é R$ 1.100,00 e a cesta básica consome 50% dele, ficando a outra parte destinada a aluguel, saúde, educação, transporte, vestuário, etc. Claro que não dá!

Se isso, por si, só já não fosse motivo para revermos as políticas econômicas e sociais do país, é preciso dizer que, além do desemprego e as pessoas não ocupadas, parcela significativa do povo paraense recebe menos que meio salário mínimo por mês para sustentar sua família.

Os políticos em cargo público sabem do nível de pobreza e de miséria que o nosso povo está submetido, todos eles podem dimensionar o aperto comparando o salário do povo com o quanto ganham e como pagam suas próprias despesas.

Os políticos em cargo público, se tivessem consciência e compromisso com os irmãos brasileiros, sabedores de que o valor gasto com a cesta básica consome metade do salário mínimo e a dignidade das pessoas pobres, passariam todo o tempo do mandato lutando sinceramente contra as causas da pobreza e da desigualdade.

Atacariam a excessiva concentração de renda. Mirariam na educação para todos e de tempo integral. Proporiam políticas econômicas de geração de emprego e renda. Lutariam por inclusão tecnológica, fazendo com que cada brasileiro tivesse acesso à rede mundial de computadores. Defendiam a liberdade de imprensa para que todos tenham acesso a informações de qualidade e conheçam a suas próprias realidades. Adotariam um programa de moradia digna para todos. Cortariam as mordomias e os salários de marajás do serviço público. Votariam duas reformas importantes: a reforma tributária para tornar o sistema de imposto mais justo e a reforma política para garantir ao país um sistema verdadeiramente democrático.

Estas propostas deveriam ser perseguidas com afinco e sinceridade de quem deseja um país justo, com equidade. Mas não basta apenas estas políticas para o hoje, é preciso trabalhar planejando o futuro.

O futuro da humanidade está ameaçado pelas graves e urgentes consequências das mudanças climáticas, que ameaçam a vida dos mais vulneráveis. Um grande código de sustentabilidade precisa ser adotado. Parar os desmatamentos, principalmente da floresta Amazônica está no centro das preocupações climáticas. Preservar os corpos hídricos também. Abolir garimpos. Manter a integralidade das unidades de conservação e as terras indígenas. Garantir saneamento básico e a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Os políticos com mandato, se quiserem, podem construir uma nova realidade para o povo pobre e sofrido do Brasil. Eticamente é inexplicável aceitar que o pobre não tenha o mínimo para viver com dignidade.

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