O Açaí do grosso é americano?

O Pará é o maior produtor de açaí do Mundo, com mais de 60% de toda a produção, sendo Igarapé Miri a terra referência em açaí.

Porém, incrivelmente, os Estados Unidos da América é o país que mais produz produtos a base de açaí.

É possível isso?

Vamos falar dessa triste constatação um pouco mais na frente nesse nosso papo de açaí. Antes, porém, iremos abordar os temas debatidos por especialistas durante uma hora e meia pelo canal de Youtube, com transmissão simultânea e boa participação pelas redes sociais.

O açaí, apesar de ser o carro chefe da alimentação no Pará e de sua pauta de exportações, sendo o nosso vinho com terruá (1. Terruá … (fr.terroir = do torrão, do lugar). Identifica algo ou um produto (um vinho, um ritmo musical, uma iguaria) específico de um determinado lugar) não tem, por parte do governo do estado, recebido a atenção que merece, relegando os produtores a todo categoria de sofrimento para entregar o “diamante negro” aos pratos e cuias e aos squeezes das academias.

Nossa live sobre o assunto, com a presença dos especialista Pedro Paulo Siqueira, da Rota do Açaí; Paulo Feitosa, Associação dos Ribeirinhos; Vladimir Fuxico, Associação da Vila Mauiatá; e Cristina Vasconcelos, bióloga e secretária de mulheres do PV, que você pode assistir no canal zecarlosdopv, no youtube (https://youtu.be/-b7o3vMhtjk), concluiu que apesar da importância cultural e econômica desse fruto tropical, empregando e dando renda a milhões de pessoas, é solenemente negligenciada pelos órgãos oficiais, enfrentando inúmeros desafios, como os que seguem:

  1. Preço: A produção do açaí é sazonal e os preços da lata ou da rasa variam conforme o mês de maior o menor produção, mas a falta de infraestrutura não permite que o produtor armazene o produtor, ficando fragilizado diante do mercado especulativo controlado pelas grandes empresas e sua rede de atravessadores, obrigado a praticar o preço ditado por especulação;
  2. Organização da Produção: os produtores, oriundos da agricultura familiar, não tem orientação adequada, apoio e não se organizam para altura e de forma conjunta, defendendo suas bandeiras ou mesmo acessando tecnologia que favoreça o crescimento e maior ganho individual;
  3. Desorganização dos órgãos públicos para o setor: cada ente federado, com suas pastas específicas, atua no setor isoladamente e não conversam entre si para unificar dados, estratégias e programas que fortaleçam a cadeia do açaí;
  4. Mão de Obra sem proteção e direitos:
    1. Peconheiro: trabalhador encarregado de subir nas árvores e apanhar os cachos do fruto recebem por diária durante a safra que dura poucos meses, está sujeito a acidentes e até morte, principalmente no período chuvoso, sem um fundo de reserva para sobreviver na entressafra;
    2. Debulhadores: pessoa que separa o fruto do cacho, tem quase as mesmas fragilidades de direitos sendo remunerada por produção ou diária;
    3. Trabalhador que limpa o açaizal;
    4. Pilotos de barcos que transportam o produto;
    5. batedor das máquinas de açaí
  5. Empreendedor: agricultor familiar, atravessador, empresa exportadoras, donos das batedoras de açaí para o mercado interno, etc., não atuam organizadamente e com as melhores orientações que os coloquem no mercado com as vantagens que a fruta oferece.

O açaí, que alcançou todos os continentes do Planeta e seu fruto, quando transformado ou verticalizado, com suas ricas propriedades para o bem-estar humano, oferece muitos subprodutos: 22% suco, 12% bebidas e energéticos, 9% de lanches, 7% de sobremesas, 5% de produtos lácteos, e 3% de doces e balas.

Os EUA produzem o maior volume desses produtos por ter tecnologia e economia voltada para verticalização de produtos, extraindo matéria prima de países subdesenvolvidos e tirando vantagens dessa condição para usufruir do rico patrimônio natural, deixando para trás a pobreza, a desigualdade e os impactos ambientais.

O açaí pode salvar a economia sustentável do Pará, gerando renda, dignidade e salvando a floresta, basta que haja vontade política para isso acontecer.

Os produtores sabem produzir e estão dispostos a crescer com sustentabilidade. A açaí de qualidade incomparável vem das terras do Pará, os desafios estão postos para, seguindo e avançando para um futuro sem pobreza e sofrimento, com incentivo oficial e a parceira nessa empreitada de dignidade, alcançarem padrões de primeiro mundo e respeito do mercado consumidor.

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