Responde Prefeito: Não tem debate, mas Belém tem perguntas a fazer.

Candidatos a Prefeitos de Belém: G1

O primeiro turno da campanha de prefeito de Belém vai ser apenas com a narrativa dos candidatos, sem debates. Eles e suas equipes de comunicação vão dizer o que bem quiserem e nós não vamos ter o direito de vê-los em confronto de ideias.

O debate entre os candidatos é fundamental para sabermos, pelo menos, parte da verdade. Vê-los expondo um a fragilidade do outro. Percebemos quem está mais preparado e quem pode realmente fazer o melhor pela cidade.


Como não vai haver debate porque a Globo desejou a concordância dos 13 candidatos, aceitando que que participe apenas os 4 primeiros colocados em pesquisa e consenso não haverá. Como o grupo RBA e seu candidato Priante se beneficia de não ter debate e por isso não o fará. Restaria uma saída, que seria a união dos blogs alternativos, como sugeriu Diógenes Brandão, para promover este momento democrático.

Pelo sim, pelo não, que tal perguntamos aos candidatos, desde agora, o seguinte:


1. Thiago Araújo: O senhor tem apoio do prefeito Zenaldo o que você manterá e o que você mudará como cara nova da gestão dele?

2. Edmilson Rodrigues: O Governador Helder Barbalho já sofreu várias operações da PF, MPF e Controladoria Geral da União, com busca e apreensão em sua residência, bloqueios de bens, prisão e demissão de secretários de confiança. Qual a sua opinião sobre as suspeitas de corrupção que pesam sobre o Governador? O PT está na base do governo Helder Barbalho e também integra a sua chapa, caso passe para o segundo turno, o Senhor pretende ter apoio do Governador Helder Barbalho?

3. Priante: O senhor tem 32 anos de mandatos, é membro da família Barbalho, que já governa o Pará e cujo Governador é investigado por suspeita da prática de corrupção durante o estado de emergência da Pandemia, como pretende tirar Belém do abandono sem corrupção? O Senhor diz que Belém está abandonada a 30 anos, o que o Senhor fez nestes 32 anos de mandato para impedir o abandono de Belém?

4. Gustavo Seffer: Belém tem pouco mais de R$ 500 milhões para investimentos em obras, um quilômetro de metrô custa R$300 milhões, para chegar ao Entrocamento, precisaríamos de 08 quilômetros de metrô, ou R$1,2 bilhão; em Belém, devido a composição do solo, este valor triplica, de onde você pretende arranjar esta fortuna para por em prática sua proposta de construir um metrô na Cidade? Caso consiga implementar o Metrô, vai destruir ou jogar no lixo tudo que já foi investido no sistema BRT?

5. Eguchi: Belém, para avançar, necessita solucionar problemas históricos, tais como alagamento, lixo, saneamento, etc, como sua experiência de policial federal pode ser utilizada para Governar Belém?

6. Mário Couto: O que o senhor acha da possibilidade dos Barbalhos controlarem Belém com a eleição de Priante?

7. Vavá Martins: O Círio é mais que um evento turístico, trata-se da maior manifestação religiosa em honra de Maria e do dogma de sua virgindade, antes, durante e depois do nascimento de Jesus Cristo; o senhor, Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, que nega este dogma, como prefeito, respeitará o estado laico e manterá o apoio oficial as festividade nazarena?

8. Cleber Rabelo: qual sua opinião sobre a participação das esquerdas no Governo Barbalho, acusado de corrupção e como o senhor vê a aliança de esquerda PSOL – PT?

9. Gulherme Lessa: A Justiça determinou que até maio o lixão de Maritiba seja fechado, caso seja eleito, para onde enviará as quase 1.800 toneladas diárias de lixo da cidade?

10. Dr. Jerônimo: O senhor é homem e candidato do Partido da Mulher Brasileira, que tem como principal bandeira a igualdade de gênero, isto não é contraditório?

11. Jair Lopes: temos quatro candidatos de esquerda disputando a prefeitura de Belém, se todos estivessem unidos seriam mais forte, com mais chance de sucesso, qual é a dificuldade de unir as esquerdas no Pará?

12. Cassio Andrade: Belém é suja por causa dos entulhos jogados nas esquinas, em determinados pontos da cidade e nos canais. Qual sua proposta para resolver o problema do lixo?

Você, meu caro leitor, tem suas próprias perguntas. Então, por favor, não se faça de rogado, mande pelos comentários que selecionaremos as melhores e enviaremos aos comitês dos candidatos.

Governo do Pará usa verba publicitária ilegalmente

Estava passando em frente à televisão e de repente entrou uma propaganda do Governo do Pará dizendo assim: “Tem gente que pensa que a dor pode esperar, que o desespero pode esperar, que a gente pode esperar”

Tem gente?

Quem são os que pensam assim?

Acusação anônima. Insinuações contra algum adversário. Acusação contra a PF e o MPF que suspeitam das contratações OS dos hospitais de campanha? Isto não é uma propaganda política de algum candidato?

Parei, olhei e nem acreditei, mas juro, era uma propaganda institucional, paga com dinheiro público.

O Governo do Estado do Pará, através de seu órgão de comunicação, produz uma peça publicitária insinuando que entre aos cidadãos ou instituições existem aqueles que tem comportamento asqueroso, insensível, antiético, cruel ao ponto de não se importar com a dor e com desespero das pessoas?

Quando que uma peça dessas prosperaria se aqui estivesse deputados estaduais ou membros do Ministério Público atentos ao que diz o § 1.º, do art. 37 da CF/88:

§ 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

Mentiras e promessas políticas, como se defender.

As campanhas eleitorais feitas para disputar poder sempre trazem práticas que revelam as feridas da alma humana, que mesmo quando curadas, ainda assim, as cicatrizes aparecem.

Mentir sobre o adversário. Prometer o que sabe ser impossível cumprir. Esconder seus reais objetivos impopulares, são algumas destas feridas da alma de alguns dos políticos brasileiros (Nem todo político é igual, ressalte-se). Fiquemos por aqui. Basta estes três defeitos da aparência e não da essência, para conversamos neste artigo. Não vou enchê-los com outras doenças dos nossos políticos.

Mentir sobre o adversário é mais comum que se possa imaginar. Tem até uma frase do folclore político que diz “meu adversário não tem virtudes e meu aliado não tem defeitos”. O adversário é um monstro insensível aos problemas do povo. Dizem: O adversário, quando no poder, não fez o que deveria fazer; abandonou a população a própria sorte; roubou; enriqueceu; protegeu os seus; superfaturou obras; desviou recursos públicos.

As acusações feitas em campanha eleitoral, sem provas, merecem ser checadas e sobre as dúvidas, acender o farol, jogar luz, penetrar na entranha olhando os reais objetivos por trás da mentira usada politicamente.

Hoje, a mentira política, se sofisticou, alguns até a chamam de pós-verdade, a mentira até ganhou um apelido americano: fake news. O mais difícil de lidar nem é com a mentira clara e de fácil comprovação, mas com a desinformação criminosa. Aquela que usa um tijolo de verdade para construir um castelo falso.

Prometer o que sabe ser impossível cumprir. Já vimos de tudo neste item. Se for eleito vou acabar com a pobreza, dizem alguns, ignorando que Jesus Cristo, quando confrontado por Judas, na casa de Simão, o leproso disse: “Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre”.

Os candidatos ao cargo de prefeito, antes de se lançarem na busca do voto, deveriam olhar o orçamento do município. As cidade tem um orçamento com receitas e despesas.

As receitas são provenientes dos tributos pagos pela população e de empréstimos. Para aumentar a receita e obter mais recursos para investir, tem dois caminhos: criar novos tributos ou endividar o município. Não tem milagre.

No caso das despesas, o prefeito eleito, ao assumir, receberá o município com despesas que já existem, são obrigatórias e devem ser pagas todos os meses. Nas despesas estão as chamadas despesas correntes e as despesas de capital. As despesas correntes só diminuem se for cortado gastos. Isto é muito difícil operar, pois se trata de pagamento de salários, manutenção dos órgãos públicos, pagamento de contratos do cotidiano da máquina pública. Sempre sobra muito pouco para as despesas de capital, de onde poderão vir o dinheiro que vai pagar as promessas de campanha.

Então, meus e minhas, não tem jantar grátis e nem dinheiro caindo do céu. As promessas precisam caber no Orçamento ou não serão executadas.

Esconder objetivos impopulares. Muitos candidatos, para financiar a campanha, fazem acordos com políticos e com setores econômicos da cidade. Estes acordos, muitas vezes, inclui contratos, obras, cortes, serviços, que vão na contramão do que deseja a maioria dos cidadãos. Geralmente, quando isso acontece, os efeitos só aparecem durante o mandato.

Os acordos políticos, por exemplo, são feitos também com adversários, aqueles que estavam integrando as chapas contrárias, do que não se elegeu e que defendeu propostas contrárias as do candidato eleito.

Também há aqueles acordos para receber apoio de políticos que pedem fatias da máquina pública indicando secretários incompetentes e até corruptos. Estes acordos secretos surgem no decorrer do mandato, decepcionando os eleitores, que veem chegando ao poder aqueles que desejou derrotar.

No caso dos acordos econômicos, vamos a um exemplo concreto. O transporte público da cidade tem de um lado os empresários e do outro os usuários. Os donos das empresas de ônibus, são interessados em que seus custos sejam baixos, a passagem suba de preço e gere mais lucro para o seu negócio. O usuário quer e merece o transporte público eficiente e de baixo custo prometido durante a campanha.

O candidato pode ter recebido apoio financeiro dos empresários deste setor e estará preso a compromissos que não puderam ser revelados durante a campanha e apenas no mandato, quando a passagem ficar mais cara é que o eleitor perceberá que foi enganado mais uma vez.

O eleitor é o julgador, eu sei, como sei que para as pessoas comum do povo exigir um julgamento preciso e uma escolha certa, diferenciando o bom, do mau, o joio, do trigo, não é uma tarefa fácil.

O profeta Samuel quando foi enviado por Deus para escolher um substituto para o Trono de Israel quase comete enganos e Deus refreou seu ímpeto e nos deu um lição que podemos aplicar aos dias atuais.

E sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse: Certamente, está perante o Senhor o seu ungido. Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.

Samuel 1:6

Mensagem de Feliz Círio 2020 do Papo sobre os jornais de domingo

Papo sobre os jornais de domingo é uma live que faço toda semana. Nunca fiz dia do Círio.

Quem não é paraense nem pode avaliar o tamanho da fé e a quantidade de energia que emana das ruas, vinda diretamente diretamente do coração de pessoas humildes ou de classes sociais mais bem aquinhoadas.

É a única festa que une todas as pessoas do Pará.

Neste ano, o Círio sem procissão por causa da pandemia e para seguir as orientações da OMS, nos permitiu gravar e postar uma mensagem. Assista e deixe seu comentário nesta corrente de amor ao próximo.

Seu candidato tem solução para os alagamentos de Belém?

As campanhas dos candidatos a prefeito de Belém seguem o ritmo de sempre. Falar bem de si mesmo e meter o pau no adversário. Só que agora isto também é feito nas redes sociais, pelos militantes e apoiadores, enchendo os perfis pessoais de ataques aos adversários.

Esse modus operandi é até normal para a forma atrasada de fazer política entre os brasileiros. Agora eu quero ver debater os problemas da cidade e apresentar soluções.

Vamos a um deles: os alagamentos.

A cidade alagava na época em que Edmilson era Prefeito? Sim. Alagava na administração Duciomar? Sim. Alaga agora no período do Zenaldo? Sim.

Basta cair uma chuva forte e coincidir com a maré alta para parte das ruas da cidade alagarem. O escoamento é mais rápido que em outros lugares. Mas que alaga, alaga.

Vamos ao diagnóstico do problema. Belém está numa cota baixíssima em relação ao nível do mar. As áreas baixas da cidade foram ocupadas desordenadamente. Uma parte da população não colabora e atira entulho nos canais, entope os bueiros com sacos e garrafas plásticas. Resultado são os constantes alagamentos em todas as administrações, exceto no tempo de Antonio Lemos, quando a população ainda era diminuta.

Para desobstruir canais e fazer o escoamento das águas decorrentes de grandes precipitações é necessário ter projeto de engenharia adequado, altas somas de receita para investimentos, receitas que vão além da capacidade de arrecadação do município, indenizar e remanejar moradores cuja moradias obstruem a livre passagem das águas e respeitar a natureza, fazendo-se aliado dela.

O seu candidato tem solução de esquerda, de centro ou de direita para este problema eterno? Isto sim é muito mais importante que debater ideologias ou idade da pessoa.

Por que o TCE mudou? | Lúcio Flávio Pinto

Reproduzo a seguir a nota pública que acaba de distribuir, o sindicato que reúne os servidores do Tribunal de Contas do Estado questiona a aprovação das organizações sociais que atuaram no combate ao coronavírus. É o oposto da campanha publicitária desencadeada pelo governo do Estado na televisão. ______________________ O SINDICATO DOS SERVIDORES DO TRIBUNAL DE…
— Ler em lucioflaviopinto.wordpress.com/2020/10/07/por-que-o-tce-mudou/

É Círio, outra vez

Eu sempre me preparo para o Círio. Isto já se vão mais de 60 anos. Conheço tudo da Festividade. Todos os passos. Todos os momentos, tenho de cor e salteado. Este ano, ainda não sei o que fazer. Estou perdido. É como se me encontrasse no meio do mar, sem bússola, sem as estrelas e sem rumo.

Minhas primeiras lembranças da Festa vem do papai vestido de branco, roupa de linho, engomada no ferro a carvão, pés descalços, nos levantando no ombro, ali na Praça dos Estivadores, em frente a Folha do Norte, mirando os galpões da antiga SNAPP, que encobriam a vista para Baia do Guajará, para vermos a passagem da Berlinda, com a Santinha, quando a sirene tocava e os fogos pipocavam ensurdecendo e levantando uma nuvem com cheiro de pólvora queimada.

Quando os fogos silenciavam, os alto-falantes da Rauland voltam a ser ouvidos e o povo retomava a marcha, com seus potes de água e os alguidares de cheiro cheiroso, rumo a subida da Presidente Vargas. Papai cortava caminho pela Primeiro de Março, para boiarmos depois da Berlinda e seguir para o Guamá de ônibus.

Não íamos até a Basílica. A visita a Santa faríamos depois, junto ao tradicional passeio no largo de Nazaré.

Em outubro sempre me desperta sentimentos vindos do cheiro da cidade e do próprio Círio. Cheiro de maniçoba. Cheiro de tucupi. Cheiro de pessoas. Cheiros de fé.

Eu ainda estou incrédulo como foi que um minúsculo ser, passado de um animal para um humano, lá na China, teve a força de mudar o Círio aqui no norte do Brasil.

Esta semana, a semana do Círio está sendo estranha na minha vida. Já comprei maniva. Comprei e vamos fazer a maniçoba para o almoço de domingo. Será o primeiro sem o Seu Hildebrando, meu sogro, falecido antes da pandemia.

Quando estava me preparando para ter um domingo sem ele na sala da minha casa, o que já era bem difícil, veio este tsunami que varreu uma tradição que começou em 1793.

Vou manter a fé. Vou evitar aglomerações. Vou seguir a programação oficial e reconheço o esforço dos Padres Barnabitas e da Diretoria da Festa. Mas que vai ser duro passar por esta provação, tenho certeza que vai.