Intolerância | Lúcio Flávio Pinto

EDUCAÇÃO, POLÍTICA
Intolerância
PUBLICADO POR LÚCIO FLÁVIO PINTO ⋅ 23 DE AGOSTO DE 2020 ⋅ DEIXE UM COMENTÁRIO
A Unicamp, uma das poucas universidades brasileiras de padrão mundial, sofreu um ataque de intolerância e violência pela internet. O reitor da Universidade de Campinas divulgou a seguinte nota:
Repudiamos veementemente o ataque cibernético sofrido no dia de ontem por live promovida pelo Coletivo dos Estudantes Indígenas da Unicamp. A sala virtual da universidade em que acontecia o evento foi invadida de forma massiva por insultos, palavras de ódio e racismo. É significativo que a live atacada se chamasse “Identidades indígenas na universidade pública: construindo diálogos na luta por direitos”.
Os estudantes indígenas se reuniram para falar em diálogo e em direitos, e para refletir sobre a contribuição que podem, e querem, dar à universidade e à sociedade brasileira. Em resposta ao gesto dos invasores que quiseram humilhar e deslegitimar nossos estudantes bem como valores e propósitos que são caros à universidade, denunciamos a vergonha de seu ato infame, covarde e mesquinho.
Frente a emergências grotescas como esta, reiteramos nosso compromisso com a democracia e com a defesa dos direitos humanos e do espaço público como arena de manifestação para a construção de um país justo, em que o respeito à vida e a dignidade sejam motivo de orgulho.
Marcelo Knobel
— Ler em lucioflaviopinto.wordpress.com/2020/08/23/intolerancia/

TSE rejeita proposta de punir candidatos por abuso de poder religioso | Política | G1

Igrejas, pastores, bispos e líderes religiosos nunca abusaram tanto da fé alheia para outros fins, incluindo o eleitoral, como nos tempos atuais. A bancada da “Bíblia” cresce exponencialmente a cada eleição, com ela a intolerância religiosa e o reacionarismo.

O TSE detectou o fenômeno “abuso de poder religioso”. Pautou o tema para estabelecer a tese, mas esbarrou na escolha errada do caso concreto, das poucas provas e da ausência de legislação.

O TSE não tinha outro caminho, rejeitou estabelecer a tese e não foi por concordar com a prática abusiva, como induzem as manchetes imprecisas publicadas pelos grandes jornais, (fiz questão de usar a manchete do G1 para ilustrar a postagem) pois estas existem, estão crescente a cada pleito e podem ser suscitada novamente a qualquer momento.

A Assembléia de Deus e a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), por exemplo, criaram partidos políticos para abrigar seus candidatos. Usam a autoridade religiosa para escolher os dirigentes partidários, filiar eleitores e compor a listas de candidatos. Obrigam aos eleitores fieis a terem preferências, fazendo campanha e votando nos ungidos. Os seus escolhidos “divinamente”, chamados de ungidos, recebem os meios físicos generosos para campanha eleitoral, incluindo o financeira, dinheiro vivo, suado, dado de boa-fé para obra divina, acobertado pela isenção tributária, desviado para fins de conquista de poder, de difícil fiscalização.

Falta vontade política para caracterizar o abuso. Porém, se a bancada dos religiosos continuar crescendo e avançando para controlar importantes postos no Poder Legislativo, puni-los por lei será cada vez mais difícil.

O futuro dependem de uma ação rápida para coibir o abuso religioso antes que seja tarde. Se isso não acontecer, vamos caminhar para mais intolerância religiosa, mais reacionarismo, como os intolerantes querendo avançar para ocupar postos importantes em outros Poderes da República. A vontade de ter um Ministro do STF terrivelmente evangélico já foi publicizada e pode ocorrer a qualquer momento.

Quem lutou tanto pelo estado laico, precisa sair da letargia e adotar posição proativa urgente.

— Ler em http://www.google.com.br/amp/s/g1.globo.com/google/amp/politica/noticia/2020/08/18/tse-rejeita-proposta-de-punir-candidatos-por-abuso-de-poder-religioso.ghtml

Bolsonaro frusta pretensões de Helder Barbalho

A visita do Presidente Jair Bolsonaro aumentar o distanciamento – neste caso, político – do Palácio do Planalto em relação do Governador Helder Barbalho. Bolsonaro fez questão de demonstrar publicamente que não apoia o Governo do Pará. Os gestos presidenciais não ficaram apenas no campo do cerimonial. O Presidente da República os concretizar cancelando atos oficias do evento.

Bolsonaro não veio inaugurar a primeira fase da obra Porto do Futuro. Seu objetivo era passar ao Estado a propriedade dos galpões da CDP e a área do Aero Clube. Neste dois locais, Helder projeta fazer sua marca e apagar as marcas deixada pelos tucanos.

Os galpões da CDP serão usados para fazer um projeto em substituição da Estação das Docas. No Aero Clube, um Parque para rivalizar com o Parque do Utinga. Bolsonaro, porém, recuou e não assinou os documentos frustando o Governador e sua equipe, que esperavam sair do ato com este troféu.

Sem o controle o Parque Belém Porto do Futuro, que permanece fechado após o evento presidencial, a reação veio em uma nota publicada na coluna Reporter Diário de Domingo, onde o Estado se exime de qualquer responsabilidade pelo funcionamento do espaço público, construído com o nosso rico dinheirinho. Afinal, sempre somos nós pagamos a conta da incompetência e das brigas políticas.

Bolsonaro, deixou para assinar a transferência em Brasilia, burocraticamente, sem as pompas do ato publico de Belém.

O fato revelou algo ainda mais estranho, a SECULT está realizando um certame nacional para escolher a concepção de um projeto para ser implantado em uma local, cuja propriedade ainda não é do Estado.

Bolsonaro em alta. Velha política em baixa

Pela primeira vez a aprovação popular do presidente Jair Bolsonaro ultrapassou a desaprovação, isto depois de ter contra si a maioria dos partidos políticos, importantes órgãos de imprensa, redes sociais, personalidades influentes e de desafiar todos as cautelas de figura pública com declarações e posturas lamentáveis durante uma pandemia.

Leia mais: https://folha.com/mpesb3y2

A aprovação do Presidente subiu para 37% e sua reprovação recuou para 34%.

Não costumo brigar com os números, ao contrário, procuro entendê-los, mas confesso que neste caso não é uma tarefa simples explicar a reação do eleitorado brasileiro.

Vou dar chutômetro.

Os que rejeitam a velha forma de fazer política, querem esfregar o Bolsonaro na cara da “velha política”, principalmente das chamadas “esquerda”.

Os políticos brasileiros se acostumaram a fazer da opinião popular apenas um detalhe no jogo político e isto não está sendo aceito por uma certa parcela do eleitorado, que ganhou protagonismo com as redes sociais e deseja ter vez e voz.

Os mais carentes, por isso pragmáticos, querem algum resultado prático para resolver parte dos seus dramas e o auxilio emergencial veio em boa hora. Sim, sei que não foi Bolsonaro que concedeu o auxilio, mas explicar isso e convencer quem não tem a mesma confiança de outrora nos grandes veículos de mídia – e está com seiscentos reais em conta na Caixa Econômica Federal – dá trabalho.

Será que estou no rumo certo?

Se tiver certa minha linha de raciocínio, Bolsonaro ainda nadará de braçada por mais um mandato. Isto porque, a reação política está cada vez mais difícil e demorada.

Os partidos políticos tradicionais erraram ao sustentar toda as suas iniciativas com verba e estrutura pública, desprezando a aliança com a sociedade. Organizações Não Governamentais são mantidas com dinheiro público. Partido e Sindicatos são financiados com verbas pública. Imprensa depende de verbas de publicidades pública. Empresa contratam com o estado. Municípios não tem receitas próprias e pagam suas contas com repasses federais. Intelectuais das ciências humanas dependente de incentivo de verbas públicas.

Tudo precisa ser repensado.

PF desmonta quadrilha de desmatadores em Altamira, Brasil Novo, Medicilândia e Uruará

O juiz federal substituto da 4ª Vara Gilson Vieira Filho determinou o afastamento de agentes públicos suspeitos de integrar uma organização criminosa formada por madeireiros, servidores públicos das secretarias municipais de Meio Ambiente, advogados e engenheiros florestais.

A ação da Polícia Federal, autorizada pela Justiça Federal, visou desmontar uma quadrilha de agentes públicos que davam cobertura ao desmatamento e a comercialização de madeira nos municípios de Altamira, Brasil Novo, Medicilândia e Uruará.

O policial rodoviário federal Valderson Vargens da Silva, o policial civil Sérgio Roberto Dias Caldeira e o policial militar Climi Cleber Pinheiro Soares foram afastados do emprego ou função pública.

Wesley Storch, secretário municipal de Meio Ambiente e Turismo de Altamira(SEMAT), Lúcio Francisco de Paula Costa, coordenador da Secretaria de Meio Ambiente da SEMAT de Altamira, Lucas Gomes de Alvarenga Shubert, assessor jurídico da SEMAT de Altamira, e Verbena Regina Sá Brito, assessora jurídica da SEMMA de Brasil Novo, também foram afastados de suas funções.

O sigilo da decisão que ordenou a operação foi levantado na tarde desta quarta-feira (29) pelo juiz federal da 4ª Vara, Antônio Carlos Campelo.

Bolsonaro é denunciado em Haia por genocídio e crime contra humanidade – 26/07/2020 – UOL Notícias

O presidente Jair Bolsonaro é denunciado por crimes contra a humanidade e genocídio no Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia. A iniciativa, protocolada na noite deste domingo, está sendo liderada por uma coalizão que representa mais de um milhão de trabalhadores da saúde no Brasil e apoiado por entidades internacionais.
— Ler em noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/07/26/bolsonaro-e-denunciado-no-tribunal-de-haia-por-crimes-contra-humanidade.htm

Deus quer governantes com coração sábio e inteligente

Nesta nossa vida encontramos pessoas que se dizem tementes a Deus e seguem sua palavra. A Bíblia é exaltada até em praça pública.

Mas na prática percebe-se que não observam os menores ensinamentos e nem os exemplos que o Deus único nos ensina de maneira clara que nem interpretação se torna necessária para entender a mensagem.

No Livro 1Rs 3,5.7-12, que será lido em todas as Igrejas Católicas do Brasil, o Senhor aparece em sonho a Salomão e lhe disse: “Pede o que desejas, e eu te darei”.

Salomão poderia ter pedido longos anos de vida, riquezas, a morte dos seus inimigos, como fazem muitos dos nossos governantes de hoje em dia. Mas não o fez, ao contrário pediu a Deus: “Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar. 8Além disso, teu servo está no meio do teu povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular. 9Dá, pois, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?”

O que Salomão queria era ter sabedoria para praticar a justiça. E Deus atendeu o pedido: “dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti nem haverá depois de ti”.

Os eleitores que escolhem e os eleitos que são escolhidos deveriam conhecer melhor os desejos de Deus lendo e seguindo a palavra. Um coração sábio e inteligente para governar e ser governado.

Água é vida, menos para Cosanpa que está a beira da morte

Os prejuízos acumulados pela Cosanpa é da ordem de R$ 2.977,7 Bilhões, o que resulta um Patrimônio Líquido de R$ 357,3 Milhões, o que equivale a apenas 11,99% do total dos Prejuízos Acumulados até esse exercício.

O presidente Jair Bolsonaro sancionou nesta quarta-feira (15/7) o novo marco legal do saneamento básico no país, que prevê a universalização dos serviços de água e esgoto até 2033. O texto aprovado estimula a privatização desses serviços essenciais, fomentando a entrada de capital privado e de novas linhas de financiamento a investidores.

O objetivo de privatização que veio com o novo Marco Legal, ficou ainda mais evidente após os vetos do presidente Bolsonaro, incluindo o artigo que permitia a prorrogação por 30 anos dos contratos-programas, firmados sem licitação, celebrados com as empresas estatais.

As empresas estatais, antes do veto, já teriam dificuldade em se beneficiar da prorrogação por ter que apresentar, até 2023, a sua saúde economico-financeira e metas de universalização até 2033, de 90% de esgoto e 99% de abastecimento de água.

A COSANPA, sociedade de economia mista paraense, que detém contratos e delegações para prestar serviços de água e esgoto em 53 municípios e 09 vilas, está a beira de insolvência, sem capacidade de solucionar seus prejuízos, não poderá se habilitar a receber investimentos, empréstimos, não cumpriria as regras da Lei, fatalmente perderia os contratos e não teria chance alguma em sair vitoriosa em um certame licitatório.

Os contratos da Cosanpa e os constantes aportes financeiros do seu principal controlador, o Estado, são com um respirador mecânico que mantem a empresa na UTI, entubada, respirando, mas com muita dificuldade.

O Relatório da Administração da Empresa paraense de 2019, como um diagnóstico médico, mostra que seus pulmões estão todos comprometidos e que o vírus da irresponsabilidade administrativa, decorrente das várias intervenções e uso político, está causando infecção generalizada, com grande dificuldade de reversão, mesmo com os respiradores.

O índice de Liquidez Geral, apurado pela razão entre o ativo circulante e o passivo, é de 0,17%, quando o desejável é que este índice ficasse acima de 1, indicam que a Companhia não tem disponibilidade financeira suficiente para atender seus compromissos (Passivos), nem a curta e nem a longo prazo, significando dizer que, corre-se um alto grau de insolvência.

Os exames contábeis indicam que a Companhia, no desempenho de sua atividade operacional, não está dando conta de suprir as suas necessidades, diante dos seus encargos fiscais e de outras ordens, quando, no exercício, apresenta prejuízo no montante de R$ 248,4 milhões de reais.

A situação se agrava drasticamente, quando se examina os prejuízos acumulados da ordem de R$ 2.977,7 Bilhões, o que resulta um Patrimônio Líquido de R$ 357,3 Milhões, o que equivale a apenas 11,99% do total dos Prejuízos Acumulados até esse exercício.

“O desempenho econômico-financeiro (segundo o relatório dos auditores independentes) indicam uma razoável suscetibilidade de uma possível, senão provável descontinuidade operacional”, ou seja, uma total incapacidade de continuar com suas atividades. Essa situação, só ainda não ocorreu, por sucessivos aportes de recursos financeiros de seu controlado principal, o Estado do Pará.

A insolvência da empresa, a incapacidade de investir para se expandir é sentida pela população na completa ausência de serviço para muitos paraenses e da qualidade sofrível onde a empresa atua.

Segundo o Mapa de Exclusão Social, apenas 6% dos paraenses, fora da Região Metropolitana, dispõe de serviço de esgotamento sanitário. Na Região Metropolitana, este serviço alcança 35%, porém com pouco tratamento. Água, bem essencial, fundamental a vida, não chega à casa de todos os paraenses nem chegará até 2033, meta de universalização da lei, se a Cosanpa continuar internada em um leito de UTI,

A Cosanpa, insolvente, (seria doente grave) não terá qualquer possibilidade de apresentar metas de universalização e nem de se habilitar em processo licitatório, seu caminho será a morte por insuficiência respiratória aguda grave.

O consumidor paraense, que já enfrenta dificuldade de relacionamento com o serviço de energia elétrica privatizado, agora deve se preparar para, em curto espaço de tempo e por grave irresponsabilidade política dos gestores, ver os serviços de água e esgoto passarem para as mãos do capital privado, com tarifas e taxas escorchantes e sem ter para quem reclamar.

O problema, após a sanção presidencial e a entrada em vigor do novo Marco Legal do Saneamento é grave, real e pra ontem, obrigando que o Governador e os Deputados, urgentemente, se pronunciem e apresentem saídas para que a população, mais uma vez, não seja a única a pagar a conta de ver um patrimônio público perecer sem velório presencial, sem choro e nem velas.

*Colaborou com este artigo o contador Clayton Brasil de Oliveira

Sanções impostas pelo Ibama caem 60% em um ano, e especialistas alertam para apagão ambiental

De janeiro a junho deste ano, o número dos chamados termos de embargo aplicados pelo órgão ambiental foi de 587. Nos mesmos meses do ano passado, foram 1.435.

O número de autuações do ano passado já representava redução de 40% em relação ao primeiro semestre de 2018. Ou seja, é a segunda queda para igual período no governo Jair Bolsonaro.

http://Sanções impostas pelo Ibama caem 60% em um ano, e especialistas alertam para apagão ambiental

O Ministro Ricardo Salles causou muitos prejuízos ambientais e econômicos para o Brasil. A pasta foi criada para ter um titular que se identifique com a causa ambiental e provoque o debate dentro do Governo, fazendo o contraponto entre a defesa do meio ambiente e as questões econômicas. Para defender o setor produtivo tem os outros ministros.

Na época dos reis, dos imperadores e déspotas, era comum nomearem consultores para lhes contrariar as vontades, no sentido de poder, após ouvir argumentos pros e contra, caminhar pelo equilíbrio, será que nem se parecer com um déspota este Governo consegue.

Se a Justiça brasileira não retirar o Ministro Ricardo Salles da pasta do Meio Ambiente, como pede o Ministério Público Federa, o resultado final será de extrema gravidade, com perdas irreparáveis aos recursos naturais.

O Pará, por ser pobre, é o nono estado impactado pelo Auxilio Emergencial

Os municípios do Pará estão entre os maiores beneficiários do auxilio emergencial, dizia o texto do jornalista Thiago Vilarins, publicado no Jornal O Liberal deste domingo, noticiando uma pesquisa liderada pelo economista Écio Costa da Universidade Federal de Pernambuco e por Marcelo Freire, da Secretário de Desenvolvimento Econômico daquele mesmo Estado.

E realmente os números apontam nesta direção, mas numa leitura mais acurada revelam outros fatos.

O Pará terá a receber R$9.883.983.000,00, quando for pago as sete parcelas previstas pelo programa de Renda Básica. O impacto na economia dos municípios será muito forte. 30% dos municípios paraenses terão ganho de 5% no PIB. Em Santarém Novo o impacto será de 27,22% e em Terra Alta, 24,30%. O nosso Estado é o 9.º que mais vai receber recurso do programa.

Os primeiro números da pesquisa sobre o Auxilio Emergencial suscitaram em mim um turbilhão de indagações e certeza.

As universidades ou instituições paraenses estão preocupadas em estudar e entender este fenômeno? A SEDEME – Secretaria de Desenvolvimento Econômico Turismo e Mineração do Pará está atenta ao reflexo deste programa? O que irá acontecer com as pessoas depois que cessar o pagamento deste auxilio emergencial? Será que a economia reagirá, gerando emprego para ocupar esta mão de obra?

Já deves estar dizendo: falou das indagações e ainda não citou a certeza.

Pois bem, o Auxilio Emergencial revelou a nossa condição de um estado rico com um povo absurdamente pobre, pois para receber o auxilio a pessoas deve preencher as seguintes condições, segundo o que está na Lei e no site da Caixa Econômica Federal.

As pessoas que se inscreveram e receberam o auxilio no Pará e estão nestas condições listadas pela Lei, somam 2,7 milhões de paraenses. Isto significa que 33,4% da nossa população adulta, tem renda abaixo de meio salário mínimo e depende de programas sociais.

Dos inscritos, 80% são pessoas que já recebem bolsa família ou são beneficiárias dos programas federais. Apenas 20% receberam acessando o aplicativo da Caixa.

Os dois municípios com maior impacto no PIB, Santarém Novo e Terra Alta são espelhos da fragilidade econômica detectada pela pesquisa da UFPE.

Santarém Novo tem uma população de 6.141 habitantes e um taxa de ocupação de 4,6%. Terra Alta, por seu turno, não fica atrás, com 10.262 habitantes, tem uma taxa de ocupação de 5,4%.

Pergunto a você: e o Pará não é exportador de boi, de soja e minério? Não somos um estado rico em biodiversidade, em geração de energia?

Somos, claro! Sei que você sabe que somos muitos ricos.

O Pará é o maior produtor de energia do Brasil. O Estado com maior investimento em exploração mineral e uma potencia em produção de soja e carne.

Mas essa riqueza toda é concentrada nas mãos de poucos empresas e pessoas, gerando um baixo nível de distribuição de renda e emprego.

Os tributos gerados pela venda de todos estes produtos não faz do Pará um estado arrecadador?

Claro que sim. Mas o modelo de administração pública praticado aqui é perdulário e ineficiente.

Gastasse muito em atividade meio, sem contar com o ralo da corrupção e dos altos salários para castas de servidores públicos.

Diante desta triste realidade, a pergunta obvia é, o que fazer?

Juro que não sei!

Até sei, mas o caminho para mudar essa realidade é longo e depende muito de uma sociedade forte, informada, dona de uma utopia e disposta a lutar pelo seu futuro.

Um primeiro passo seria a vontade de querer deixar de ser enganada por discursos vazios, populistas e oportunistas.

Melhorar o baixo nível dos vereadores e prefeitos de algumas cidades paraenses, que administram apenas de olho no cofre público, no benefício de seus próximos e nas próximas eleições.

A elite local que nos domina e empresta apoio a pior classe política do país parece muito com os antigos colonizadores e exploradores de produtos da florestas. Eles mandava colher, vendiam e iam gastar na Europa. Na volta, suas damas olhavam com desdém para a mulatas e caboclos de pele marcada pelo trabalho duro de sol a sol, pela coleta da borracha, do corte da madeira, do plantio, do roçado ou da lavagem de roupas em tinas enormes cheias de linhos importados, para alimentar os faustos de seus amos.

Tenho esperança, claro que sim. Mas não agora, neste tempo atual, com essa gente de visão curta que nos governa. Num futuro próximo sim. Num tempo em que ao ler os dados de uma pesquisa tão chocante, as pessoas tenha atitudes. Hoje, sei que nem leram e os que leram acharam tudo muito normal.