Belém é uma cidade barulhenta. Crime de Poluição Sonora: pedir providências pra quem?

É uma obra de construção ainda no início, nem começaram a levantar o prédio e o barulho insuportável já incomoda, o que indica que os moradores da redondeza terão problemas por muito tempo. O barulho é o principal deles, mas não é só isso que uma obra de construção provoca nos seus vizinhos, tem muito mais, mas vamos ficar apenas na poluição sonora.

Os barulhos incômodos nas cidades paraenses de médio e grande porte estão por todos os cantos, são obras, máquinas, descargas desregulada de ônibus, de automóveis, de motos, festas, bares, buzinas, foguetes, provocando irritação, lesando a audição e abalando a saúde, de crianças, idosos e pets.

Quando um barulho insuportável acontece, o morador não sabe a quem pedir socorro. Ir pessoalmente tomar satisfação com o poluidor sonoro pode causar brigar e até graves consequências para a vítima, dada a reação sempre absurda do abusador do silêncio alheio.

Tipos de Doenças Causadas pela Poluição Sonora

Stress, depressão, surdez, agressividade, perda de atenção e concentração, perda de memória, dores de cabeça, insônia (dificuldade de dormir), aumento da pressão arterial, AVC, cansaço, medo, gastrite e úlcera, queda de rendimento escolar e no trabalho, taquicardia, redução da libido, arritmia, desequilíbrios dos níveis de colesterol e hormonais e outras perturbações psíquicas e até tendências suicidas.

Site: Ambiental Legal

O certo é recorrer as autoridades exigindo que a lei contra poluição sonora seja observada. Mas nem sempre ou quase nunca se consegue que os órgãos venha em socorro do cidadão.

Vamos a um caso concreto.


No vídeo, o barulho que se ouve foi captado de um andar superior de um edifício próximo. São trabalhadores, depois do horário permitido, arrastando vergalhões para inciar a fundação de um prédio, cuja área pode ser vista na foto.

Localizado na Rua Cônego Jerônimo Pimentel entre Travessa Pombal e Soares Carneiro, logo após o quarteirão da Praça Brasil, esta obra, ainda no início, começou a incomodar logo na fundação.

Ontem (06.12) por volta das 19 horas, começaram a descarregar vergalhões de um caminhão que ficou estacionado por horas. Os últimos ferros adentraram o terreno, arrastados um a um, por volta de 23 hs, fazendo um barulho infernal, incomodando pessoas idosas da vizinhança, principalmente das casas antigas, dos que moram há anos nesse perímetro.

Os moradores ligaram para o número 190 e foram orientados a ligar para SEURB, que neste horário não atende ninguém. Ligaram para o número 181, da Dema, foram orientados ligar para o número 190 ou então fazer denúncia pessoalmente no órgão responsável, no horário comercial, pois eles só vem ao local quando o problema é de barulho de som alto de festas e bares. Resultado, nada de proteção ao cidadão e de aplicação da legislação.

Por falar em legislação, será que em Belém temos leis que proíbam barulho acima do permitido e em horários específicos? A resposta é que temos. São lei boas, bem concebidas, apenas não são observadas por quem de direito.

Vamos a elas.

A primeira é a Lei Municipal n.º 7.055/1977, denominada Código de Posturas Municipais. É uma lei completa, que prevê licenças de obras, de atividades econômicas em logradouros públicos e também trata da poluição sonora:

CAPÍTULO III
DA POLUIÇÃO SONORA

 Art. 63. Para impedir ou reduzir a poluição proveniente de sons e ruídos excessivos, incumbe à administração adotar as seguintes medidas: 
I – impedir a localização, em setores residenciais ou comerciais, de estabelecimento cujas atividades produzam ruídos, sons excessivos ou incômodos;
II – proibir a prestação dos serviços de propaganda por meio de alto-falantes ou megafones, fixos ou volantes, exceto a propaganda eleitoral, nas épocas e forma previstas em lei;
III – disciplinar e controlar o uso de aparelhos de reprodução eletro-acústica em geral;
IV – disciplinar o uso de maquinária, dispositivo ou motor de explosão que produzam ruídos ou sons, além dos limites toleráveis, fixados em ato administrativo;
V – disciplinar o transporte coletivo de modo a reduzir ou eliminar o tráfego em áreas próximas a hospital, casa de saúde ou maternidade;
VI – disciplinar o horário de funcionamento noturno de construções;
VII – impedir a localização, em zona de silêncio ou setor residencial, de casas de divertimentos públicos que, pela natureza de suas atividades, produzam sons excessivos ou ruídos incômodos;
VIII – proibir propaganda sonora com projetores de som e alto-falantes nas casas comerciais (VETADO), exceção feita às casas que possuem sistema sonoro interno;
IX – vetado;
X – vetado.

O código de postura deve ser aplicado e fiscalizado pela SEURB, Secretaria de Urbanismo de Belém, que tem um setor denominado NSCP – Núcleo Setorial de Código de Postura, dirigido pelo funcionário Jacintho Campina, funcionando apenas em horário comercial, na Av. Governador José Malcher nº 1622, entre Av. Alcindo Cacela e Trav. 14 de Março, bairro Nazaré, CEP: 66060-230. Os telefones para denuncias são: 3039-3740-ADM/NSCP/3039-3707- Email: seurb.nscp@gmail.com.

Tudo isso são informações que você encontra no site da Prefeitura Municipal de Belém, porém os serviços não funcionam como deveria funcionar. Não tem plantão, nem servidor e muito menos estrutura para atender uma denuncia do cidadão no momento em que a irregularidade ocorre.

A outra lei que deveria socorrer o cidadão vítima da poluição sonora é a Lei do Silêncio, Lei Municipal n.º 7.990/2000. Os arts. 2º e 3º definem o que é poluição sonora e qual o órgão responsável pela aplicação da Lei:

Art. 2º É proibido perturbar o sossego e o bem estar público com sons excessivos,
vibrações ou ruídos incômodos de qualquer natureza, produzidos por qualquer forma, que
ultrapassem os limites estabelecidos nesta lei.

Art. 3º Cabe ao órgão municipal responsável pela política ambiental:
I – a prevenção, a fiscalização e o controle da poluição sonora no âmbito do Município;
II – estabelecer programa de controle dos ruídos urbanos e exercer, diretamente ou
através de delegação, poder de controlar e fiscalizar as fontes de poluição sonora, em
ação conjunta com a Secretaria de Estado de Segurança Pública e outros órgãos afins;
III – estudar e decidir a localização de estabelecimentos recreativos, industriais,
comerciais, ou de outra espécie, que possam produzir poluição sonora em ruas, vilas,
bairros ou áreas preponderantemente residenciais ou zonas sensíveis a ruídos;
IV – organizar o serviço de atendimento ao cidadão, de modo a atender às demandas de
reclamações contra excesso de ruídos ou sons, adotando o procedimento administrativo e
judicial necessário para coibi-lo;
V – aplicar as sanções previstas em lei.

O órgão municipal responsável pela política ambiental em Belém é a SEMMA – Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que atende apenas no horário comercial, direito no protocolo, não tem plantão e nem um setor exclusivo para receber as denuncias de poluição sonora conforme o que determina a Lei do Silêncio. Os telefones (91) 3039-8100 e (91) 3039-8101 funcionam em horário comercial.

O Código de Postura e a Lei do Silêncio são ótimas, Belém não precisa de mais leis, estas estão boas e dão conta do recado. O que precisamos é que as leis saiam do papel e virem realidade.

O cidadão de Belém e de outras cidades de grande e médio porte do Pará, que pagam seus impostos, necessitam de retorno através de serviços públicos eficientes. Combater a poluição sonora absurda e desrespeitosa é um destes serviços importantes, pois trata de saúde pública, além de ser um direito de cada pessoa.

Os vereadores precisam sair de seus gabinetes, do bem bom, da mordomia, do ar condicionado, levantar o bumbum da cadeira e exigir que a Prefeitura crie departamento estruturado com plantão e meios para tender as denuncias de barulho no momento que o barulho acontece e tomar as providências que as leis determinam.

Os cidadãos incomodados podem se unir e pressionar para que seus direitos ao silêncio seja respeitado. O Ministério Público, através de seu promotor de meio ambiente pode e deve socorrer a cidade barulhenta, afastando os poluidores sonoros do convívio social.

Três mentiras políticas que destroem a democracia

Mentiras Políticas: Assista, comente e compartilhe

Neste vídeo busquei abordar o cerne da narrativa da direita brasileira, que são as mentiras, com as quais alimentam o ódio e dividem a sociedade, colocando em risco a unidade nacional e a própria democracia.

As três mentiras são: A corrupção como problema central do país. A busca da prosperidade através da fé religiosa. A destruição da família como estratégia política das esquerdas.

A corrupção é sim um problema e deve ser combatida diuturnamente, mas longe de ser o nosso principal problema. O Brasil sofre de muitas mazelas por ter uma das piores distribuição de riquezas do Mundo, que gera a mais absurda concentração de rendas das Américas. Este sim o nosso mais grave e histórico problema.

Quase 60% de todos os brasileiro precisaram ser corrido com o auxilio emergencial, sendo que 30 milhões sequer tinha cadastro ou conta bancária. Hoje, no Brasil, cerca de 49 milhões de pessoas recebem até meio salário mínimo per capita e cerca de 54 milhões de brasileiros não possuem rendimento, esses são considerados pobres. Fonte: Brasil Escola.

Este quadro de desigualdade social não permite que pessoa usufruam do primeiro direito natural que tanto pregam os liberais, que é o direito a vida com dignidade. Sem acesso as bens matérias e até sem alimento, estes milhões de brasileiros não exercem cidadania ṕlena, distorcem a vontade soberana das urnas, são vítimas de violência urbana, da criminalização e do encarceramento.

Eleger a corrupção como principal problema é uma estratégia para fugir das mudanças profundas na distribuição equitativa de renda e proteger as grandes fortunas que financiam a estratégia de poder desses grupos políticos.

A busca da prosperidade através da fé religiosa é a principal pregação das igrejas neopentecostais. Induzem as pessoas a raciocinar que todas as mazelas de sua vida decorrer da fúria divina por não obedecerem as leis e as regras da igreja, dentre elas pagar o dizimo obrigatório, as contribuições voluntárias, frequentar as obrigações e obedecer os líderes religiosos.

Sem entrar em polêmica sobre a fé e a liberdade religiosa, no vídeo explico porque considero a teologia da prosperidade um grande mentira e chamo de uso político da fé alheia.

As esquerda, na terceira mentira, são acusadas de destruir a família por atentar contra os costumes que mantem em pé a família tradicional formada por um homem e uma mulher, além de prostituirem jovens, estimulando aborto, homossexualidade, as drogas e a ideologia de gênero.

O aborto, a homossexualidade e as drogas são reais e não foram inventados pela esquerda. A sociedade buscar entendê-los e para cada um deles buscar a forma mais correta de aborda-los. As esquerda sensíveis a esta pauta, a coloca na ordem do dia. Os conservadores, por seu turno, buscam negar ou criminaliza-los.

No caso da ideologia de gênero, trata-se de uma abordagem negativa do termo e surgiu no Brasil durante o debate de PNE – Plano Nacional de Educação, quando o Ministério da Educação propôs a introdução da educação sexual nas escola e houve uma reação de setores conservadores da sociedade, que passaram a cunhar um conceito negativo para o termo. Separei para vocês um artigo do Instituto Politze sobre o assunto: Ideologia de Gênero.

Assista o vídeo, comente e compartilhe. Vamos combater a desinformação e melhorar o debate no Brasil.

É hora de eleger um projeto de cidade como um espaço que une

Por José Carlos do PV

No dia 15 de novembro, vamos escolher o engenheiro e os pedreiros que reformarão nossa casa. Queremos morar melhor e com mais conforto, mas chamo a atenção para o fato de que esses administradores e executores escolhidos precisarão de um projeto de reforma se quisermos morar melhor.

Escolher bem o prefeito e os vereadores é bom, é democrático, é necessário, mas não lhes dizer qual cidade queremos pode, fatalmente, piorar o que hoje não está bom.

A cidade é a nossa casa. Nosso espaço coletivo. Nosso lugar de criar a família, de fazer amigos, de realizar os sonhos profissionais. Um lugar assim deve ser o melhor lugar do mundo.

Quando pensamos em uma cidade, devemos pensar em pontos importantes para a sua funcionalidade e interação das pessoas. Vamos pensar sobre essa funcionalidade, levantando os pontos-chave e comparando com a cidade de hoje?

Mobilidade e saneamento

Espaços públicos são as ruas, as calçadas, as praças, os parques, as escolas, as quadras, os locais de eventos. Quanto mais limpos, bem cuidados, arejados e frequentados, muito melhor será a cidade. Faça um mapa mental desses espaços ao redor de onde você mora e descubra o que está faltando ou funcionando mal.

Mobilidade é a circulação fácil, rápida e confortável de onde você está para qualquer ponto de sua cidade, principalmente para realizar as atividade fundamentais do seu dia a dia – como trabalhar, estudar, praticar esporte, acessar lazer, cultura e diversão ou ir em busca de serviços públicos disponíveis.

Fazer tudo o que uma vida saudável requer, sem transtornos, congestionamentos, barreiras, sem impactar ambientalmente a cidade, é o ideal que buscamos em um espaço coletivo. Na sua cidade o que atrapalha o ir e vir dos moradores?

Água e saneamento nos remetem à limpeza, ao asseio, à assepsia, mas não é só isso. Tratar a água e limpá-la depois do uso, antes de devolvê-la ao meio ambiente, previne doenças, garante boa saúde e cuida adequadamente do meio ambiente. Receber água de qualidade, com tratamento adequado, PH acima de 6, é um direito de todos os moradores de uma cidade, porque é um direito à vida protegido na Constituição Federal.

Saber que, depois do uso doméstico ou industrial, a cidade coleta as águas servidas e as tratas satisfatoriamente antes de devolvê-las ao meio ambiente nos garante que não estamos espalhando doenças, comprometendo o futuro das pessoas e do território.

Cuidando do lixo

Resíduos sólidos é a classificação técnica para tudo aquilo que sobra depois do uso humano das coisas. Esses resíduos devem ser reutilizados e só aquilo que não tiver qualquer possibilidade de reutilização, o chamado rejeito, é que deve ser descartado adequadamente e segundo a melhor técnica ambiental. Nossa economia é linear e funciona produzindo resíduos em todas as suas etapas, seguindo uma reta de destruição. O bom é construirmos uma economia circular, sem resíduos e sem sacar da natureza em velocidade que não permite à natureza se recompor.

A cidade é produtora de muito resíduo e deve encontrar solução adequada, implementando a Lei n.º 12.305, Política Nacional de Resíduos Sólidos, principalmente com a coleta seletiva de recicláveis e com o descarte adequado dos rejeitos, além de um política de não produção de resíduos sólidos. Faça agora um exame de consciência e veja a partir da sua casa, dos seus hábitos, como sua comunidade trata o lixo de sua cidade.

Patrimônio histórico e serviços públicos

Meio ambiente não é só o ambiente natural. Existe também o meio ambiente artificial, construído por nós, como é o caso do meio ambiente urbano. Nele, devemos resguardar o equilíbrio e a vida. Cuidar da história, guardando e zelando pelo patrimônio histórico. Manter as fachadas dos prédios harmônicos, preservando a beleza estética. Arborizar e criar espaços verdes. A beleza visual acalma, estimula, permite um ambiente de vida saudável, atrai negócios, turismo, produz cultura, ajuda o equilíbrio. Quanta história e beleza foi destruída em sua cidade?

Serviços públicos básicos, de qualidade, para todos, sendo ofertados na cidade são fundamentais. Saúde, educação, esporte, assistência social. Cuidar das pessoas com humanidade é o que se espera dos administradores e de seus agentes. Isso não é menos importante, mas é o que deveria ser a prática republicana, como política de Estado. Será que tudo isso funciona em seu espaço?

Outro ponto é a organização das finanças públicas, a arrecadação dos tributos e o controle dos gastos excessivos, com ética, transparência e participação dos moradores nas decisões de prioridades dos gastos. É importante ter um planejamento participativo de forma plurianual, pensando no amanhã.

Para não alongar muito mais a reflexão sobre qual cidade queremos eleger e manter, segue um trecho da encíclica pastoral Laudato Si, emitida pelo Papa Francisco, que resume o sentido de pertencimento e integração que devemos ter em nossas cidades: “Como são belas as cidades que superam a desconfiança doentia e integram os que são diferentes, fazendo desta integração um novo fator de progresso! Como são encantadoras as cidades que, já no seu projeto arquitetônico, estão cheias de espaços que unem, relacionam, favorecem o reconhecimento do outro!”.

Presidente Bolsonaro não aceita lista tríplice da UFPa e indicados do Consun abrem guerra jurídica

O MEC devolveu a UFPa., em 24/09, a lista tríplice organizada pelo CONSUN, indicado que, segunda a Casa Civil da Presidência da República, a mesma foi composta baseada num modelo de consulta a comunidade universitária em descordo com a legislação em vigor e com isso, abre a possibilidade, após encerrada o mandato do vice-reitor, Professor Gilmar, da nomeação de um interventor para realização de nova consulta.

Os integrantes da lista tríplice composta pelo conselho superior universitário, Emmanuel Tourinho, Zélia Amador de Deus e Doriedson do Socorro Rodrigues, após tomar conhecimentos deste fato, ingressaram com mandado de segurança contra a omissão do Presidente Jair Bolsonaro em nomear, dentre um deles, o próximo reitor da UFPa.

Embora reconheça que ao Poder Judiciário não cabe governar ou fazer escolhas que a Constituição Federal atribuiu ao chefe do Poder Executiva, os impetrantes desejam que a Justiça Federal, em caráter liminar, determine ao Presidente da República que nomeie um dos três impetrantes e integrantes da lista tríplice questionada e se abstenha de indicar ou designar gestor provisório para o cargo.

Entenda o caso: a UFPa. realizou consulta prévia à comunidade universitária. O resultado da consulta foi alterado pelo Conselho Universitário sob alegação de que a consulta não tinha caráter vinculante, compondo a lista com três nomes que representa a mesma visão ideológica e educacional da atual gestão, não dando ao Presidente da República, alternativa de mudanças e valendo-se do que dispõe o Inciso I, do art. 1.º, da Lei n.º 9192/95:

I – o Reitor e o Vice-Reitor de universidade federal serão nomeados pelo Presidente da República e escolhidos entre professores dos dois níveis mais elevados da carreira ou que possuam título de doutor, cujos nomes figurem em listas tríplices organizadas pelo respectivo colegiado máximo, ou outro colegiado que o englobe, instituído especificamente para este fim, sendo a votação uninominal;

No mesmo artigo, no Inciso III, temos que a consulta prévia deve ser respeitada

III – em caso de consulta prévia à comunidade universitária, nos termos estabelecidos pelo colegiado máximo da instituição, prevalecerão a votação uninominal e o peso de setenta por cento para a manifestação do pessoal docente em relação à das demais categorias;

O imbróglio envolvendo a maior e mais importante instituição federal de ensino da Amazônia importará, qualquer que seja o desfecho, em graves prejuízos a comunidade universitária. Se o Poder Judiciário acatar o pedido feito no Mandado de Segurança e determinar ao Presidente da República a nomeação de um dos membros da lista tríplice, o próximo reitor governará em desarmonia com o MEC. Ocorrendo a nomeação de um provisório, com a organização de nova consulta, haverá reação política dos que se sentirem prejudicados.

A solução seria um entendimento e uma saída pensada no que é melhor para o futuro da comunidade universitária e para produção de conhecimento em prol de uma sociedade melhor. Quem tem direito a ser preservado é a população que paga as contas para ter uma universidade de ponta na Amazônia, voltada a buscar soluções para as desigualdades regionais e a pobreza que por aqui imperam.

A chegada da tevê no Pará do jeito que vi e vivi

Na minha rua, a 25 de Junho, no pobre bairro do Guamá, tinham duas tevês, dois aparelhos apenas. Eles chegaram quase quinze anos depois da primeira transmissão brasileira propiciada pelo empreendedorismo de Assis Chateaubriand

A molecada ficou fascinada. Eu fiquei hipnotizado ao ponto de pular o muro do Grupo Escolar Frei Daniel para ir ao Quitandinha Bar assistir o Jim das Selvas, o Cabo Rusty e seu cão Rin-Tin-Tin, no Forte Apache.

A noite, nos pendurávamos na janela da dona Odair para assistir o programa de Flávio Cavalcante e o Telecatch Montila e ver, extasiados, as voadoras do Ted Boy Marino.

Minha avó, dona Maria, parteira, nascida em Aracaty, no Ceará, nunca entendeu como aquele homem do Jornal Nacional ou era o Repórter Esso? não sei bem, entrava naquele aparelhinho.

Para ela, assim como ela o via, o homem da televisão também podia ver a nossa sala e reparar que as minhas irmãs estavam só de calcinha e sem modos.

Brigava e mandava se vestir para ficar descente na frente do homem. Vovó, em sua cadeira de balanço, toda cheirosa, nem piscava, dava boa noite todas as noites ao homem do noticiário.

A TV era um sonho.

O seriado Terra de Gigantes, me ajudou, na minha inocência, explicar outro fenômeno da mídia da minha infância, o rádio.

Por muito tempo, me conformei em pensar que dentro do rádio de madeira que enfeitava nossa sala – pelo qual eu soube que estavam atrás de capturar um tal de Aurélio do Carmo, também foi através dele que ouvi a musiquinha Bigorrilho – viviam os homenzinhos que falavam e cantavam.

Só descobri a verdade quando meu irmão Paulo construiu um transmissor rústico e estreamos o nosso próprio programa de rádio, ouvido pela vizinhança, um sucesso.

Chamava-se Paulo Roberto Show e disputava com o Paulo Ronaldo Show, o tal que foi deputado cassado e apresentava o Barra Pesada da época chamado de A Patrulha da Cidade, programa, que junto com o som da sirena da Copala, acordavam nossos estômago para hora do almoço.

Porém, com medo dos militares pensarem que estávamos querendo pregar o comunismo e a contrarrevolução, fomos aconselhados pelo nosso pai, sindicalista dos rodoviários, a parar com a nossa programação e esquecer o nosso sonho de sermos dono da primeira rádio comunitária do Brasil.

Setenta anos da tevê no Brasil e agora, o que será daqui pra frente quando tivermos a popularização da internet das coisas?

TSE rejeita proposta de punir candidatos por abuso de poder religioso | Política | G1

Igrejas, pastores, bispos e líderes religiosos nunca abusaram tanto da fé alheia para outros fins, incluindo o eleitoral, como nos tempos atuais. A bancada da “Bíblia” cresce exponencialmente a cada eleição, com ela a intolerância religiosa e o reacionarismo.

O TSE detectou o fenômeno “abuso de poder religioso”. Pautou o tema para estabelecer a tese, mas esbarrou na escolha errada do caso concreto, das poucas provas e da ausência de legislação.

O TSE não tinha outro caminho, rejeitou estabelecer a tese e não foi por concordar com a prática abusiva, como induzem as manchetes imprecisas publicadas pelos grandes jornais, (fiz questão de usar a manchete do G1 para ilustrar a postagem) pois estas existem, estão crescente a cada pleito e podem ser suscitada novamente a qualquer momento.

A Assembléia de Deus e a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), por exemplo, criaram partidos políticos para abrigar seus candidatos. Usam a autoridade religiosa para escolher os dirigentes partidários, filiar eleitores e compor a listas de candidatos. Obrigam aos eleitores fieis a terem preferências, fazendo campanha e votando nos ungidos. Os seus escolhidos “divinamente”, chamados de ungidos, recebem os meios físicos generosos para campanha eleitoral, incluindo o financeira, dinheiro vivo, suado, dado de boa-fé para obra divina, acobertado pela isenção tributária, desviado para fins de conquista de poder, de difícil fiscalização.

Falta vontade política para caracterizar o abuso. Porém, se a bancada dos religiosos continuar crescendo e avançando para controlar importantes postos no Poder Legislativo, puni-los por lei será cada vez mais difícil.

O futuro dependem de uma ação rápida para coibir o abuso religioso antes que seja tarde. Se isso não acontecer, vamos caminhar para mais intolerância religiosa, mais reacionarismo, como os intolerantes querendo avançar para ocupar postos importantes em outros Poderes da República. A vontade de ter um Ministro do STF terrivelmente evangélico já foi publicizada e pode ocorrer a qualquer momento.

Quem lutou tanto pelo estado laico, precisa sair da letargia e adotar posição proativa urgente.

— Ler em http://www.google.com.br/amp/s/g1.globo.com/google/amp/politica/noticia/2020/08/18/tse-rejeita-proposta-de-punir-candidatos-por-abuso-de-poder-religioso.ghtml

Liberdade de comunicação, imprensa e opinião

O jornalismo do Pará tem muitos bons profissionais. Jornalistas que honram seu oficio e seguem o ensinamento do mestre Graciliano Ramos.

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”

(Graciliano Ramos)

O problema não são os jornalistas, mas os donos dos jornais, das rádios, das tevês e agora de alguns portais, que também são políticos ou vivem a serviços de um modelo econômico ultrapassado, predador. Controlam a informação, manipulam os fatos e usam a informação para desinformar ou perseguir.

Os poucos heróis que ousam usar os recursos disponíveis das novas mídias sociais para lançar dúvidas sobres vossas verdades, vocês os perseguem.

Chega!

Deixem-nos em paz. Tirem as mãos da nossa felicidade. Nós precisamos entrar no século XXI e olhar para o futuro, sem o seus atrasos colonialistas.

Aqui é a Amazônia, um celeiro de vida e vida em abundância, mas não feita para ser destruída, consumida, explorada para satisfação eterna de vocês.

UBSs fluviais, presente de grego para os municípios

O Senador Jader Barbalho festeja a chegada aos municípios das primeiras Unidades Básicas de Saúde Fluvial, adquirida com as emendas apontadas pelo seu mandato ao Orçamento da União.

O primeiro município a receber a UBS Fluvial foi a pobre Oeiras do Pará, segundo a informação postada na matéria publicada na edição de domingo, 05/07, no Diário do Pará.

Cada UBS Fluvial sairá por R$1,8 milhões, quase o mesmo valor das UBS tradicionais e está planejada para ser usada em atendimento aos ribeirinhos, funcionando com uma equipe composta por profissionais de saúde e embarcadiços, quase no mesmo número que a equipe da atividade fim.

Não é a primeira tentativa de criar unidade de saúde adaptadas para região amazônica, usando os rios como meio de locomoção, visando atender os ribeirinhos, uma parcela significativa da população paraense, sempre esquecida e com pouca política pública.

Todas as outras tentativas anteriores fracassaram, como será, provavelmente o caso dessas UBSs, que servem apenas para jogar dinheiro fora, com os barcos e lanchas fundeadas nos portos das cidades paraenses, como foram as ambulanchas a gasolina, sem servir ao propósito para o qual se destinam, transformando em verdadeiros presentes de grego.

Vou explicar ao caso, para não dizerem que estou agourando ou jogando “psica”, ao contrário queria tanto que fosse um sucesso, mas não tem como ser e o Senador Jader, que tem experiência, sabe que não será.

Geralmente estes barcos são construídos em estaleiros fora da Amazônia, sem ouvir nossos caboclos, práticos e profundos conhecedores das navegação local. Também não ouvem os profissionais de saúde acostumados a servir as populações das beiras dos rios e furos. Sem esse acompanhamento, as especificações não se adaptam as especificidades da navegação dos nossos rios. O uso diário mostra a ineficiência e custo elevado.

A UBS Fluvial terá um custo de funcionamento que envolve salários das duas equipes permanentes, material para uso nos tratamentos de saúde, alimentação dos tripulantes e equipe de saúde, combustível e manutenção constante da embarcação.

Calculo que para funcionar plenamente uma UBS Fluvial desse porte consuma mensalmente em torno de R$ 700 mil mês da receita combalida dos municípios.

Poucos serão os municípios que, mesmo necessitando deste serviço de saúde, terão receita própria para manter o custo de funcionamento de uma unidade dessas.

Os primeiros meses de funcionamento, deverão ser suportado exclusivamente pela receita do município. O Ministério da Saúde, entra posteriormente, providenciando uma parte do valor, de acordo com os procedimentos e a tabela do SUS, que não está adaptada para suportar preços das despesas amazônicas.

Queria que o Senador Jader Barbalho provasse o meu engano, mas o resultado, infelizmente, vai ser um festa na chegada da embarcação e muita tristeza aos vê-las paradas, apodrecendo nos portos das cidades, enquanto as famílias dos ribeirinhos estarão mais uma vez desprovidas do serviço público.

Quando pensares em algo para Amazônia, por favor, ouve quem mora aqui, na beira do rio, nas várzeas, nas ilhas, nos furos. O caboclo sabe como fazer melhor, mais rápido e mais barato. Pode ser que isso não interesse para Brasília, mas é dinheiro público e sonhos que se vão.

Abrahão Weintraub no BID: Um elefante em loja de cristais.

A seguir você terá a visão oficial da missão do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, extraído diretamente da página oficial daquela instituição.

O BID deseja alcançar a “inclusão social e equidade, produtividade e inovação e integração econômica – e três temas transversais – igualdade de gênero e diversidade, mudança climática e sustentabilidade do meio ambiente, e capacidade institucional do Estado e Estado de direito”

Abrahão Weintraub, ex-ministro da educação, foi indicado pelo Brasil, digo, pelo Presidente Jair Bolsonaro para o cargo de diretor executivo deste Banco. Ocorre que Weintraub é contra tudo o que o Banco lista como sendo seu objetivo.

O ex-Ministro é racista, é contra igualdade de gênero, nega as mudanças climáticas, não aceita os parâmetros institucionais do estado de direito, tem dificuldades de entender a diversidade e a pluralidade de pensamento, nega a importância intelectual de Paulo Freire e ataca o povo chinês. Será como um elefante em uma loja de cristais.

Mesmo sabendo do histórico do Ministro o Presidente o indicou para um cargo para o qual ele não está adequado. Será mais uma desastre internacional para o nosso país e saibam que a reação contra será inevitável, com prejuízos imensos.

O BID financia muitos projetos no Brasil, inclusive é através desta instituição que o Município de Parauapebas está realizando o maior e melhor projeto de saneamento do Norte e Nordeste brasileiro, salvando corpos hídricos, incluindo o rio Parauapebas, e dando qualidade de vida para muitas pessoas.

Não se trata de ser contra ou a favor. Bastava para o Presidente ter lido a missão do BID e numa perfunctória comparação com as ideias esboçadas e saberia, sem qualquer esforço, que estava diante de água e óleo.

A caneta foi colocada nas mãos de Bolsonaro e só ele pode reverter a indicação. A nós resta torcer para que a conta que haveremos de pagar pelos cristais quebrados por este mastodonte da política bolsonarista não seja tão salgada.