Morre Padre Bruno Sechi, um santo homem de Deus

Padre Bruno Sechi, o santo das crianças e adolescentes.

No dia da marcha contra o trabalho infantil, no momento em que descia a Presidente Vargas, olhe na lateral da rua e lá estava, vendo tudo que acontecia, era Padre Bruno. Fui até ele, abracei-o, pedi uma foto e acertamos nos encontrar para falarmos sobre direitos humanos.

Veio a pandemia, ele se recolheu em sua Cidade de Emaús e eu me recolhi em minha casa. Não nos falamos mais. Ontem, com tristeza, recebi a noticia do seu falecimento. Fiquei zangado com a COVID-19, por levar tão santo homem e nem me dá oportunidade de vê-lo e dele receber alguma missão.

O pior é vê-lo partir sem dar-lhe a despedida merecida. Se pudéssemos, hoje Belém teria um círio, um mar de gente em seu féretro.

Padre Bruno é uma referência para muitos senhores, que quando jovem, vivendo no Mercado do Ver-o-peso, tiveram a mão amiga da República do Pequeno Vendedor.

Outros educadores e voluntários puderam, nos meses de agosto, ajudar na grande coleta de produtos que, antes da obsolescência programada, quando os produtos de agora são feitos para jogar fora, coletavam aquilo que ainda podia ser reaproveitado e levavam nos caminhos, que depois seriam remoçados e postos a venda para ser adquiridos por um preço menor e por famílias pobres.

O Dinheiro arrecadado serviria para sustentar os projetos em prol das crianças e dos adolescentes.

Meu primeiro computador portátil, adquiri do Padre Bruno Sechi, foi deste impulso que nasceu minha história tecnológica, que perdura até hoje. Padre Bruno era muito moderno e visionário.

Minha ligação e intimidade com a República de Emaús e com as causas, razão de ser de todo uma vida, foi fortalecida através de dois grandes amigos, minha madrinha Ana Sgrott e do Professor João Raimundo, que me ajudou como assessor parlamentar por longos anos e me fizeram conhecer a beleza por trás deste homem simples e de fala mansa.

Com a sua ida ao encontro do Pai Celeste, o Pará perde mais um ícone, como tantos outros que estão indo. Sinto um vazio. Vejo que estamos ficando sem referências.

Faço aqui uma oração: Oh, meu caríssimo Deus, pode levar seus escolhidos, eles merecem o Reino dos Céus, mas saiba, Senhor, que precisamos de outros padres Brunos nos mais diversos campos de batalha.

A Amazônia, por exemplo, está sendo destruída e me sinto impotente e sem aliados para prosseguir, pois os inimigos do meio ambiente são muitos e poderosos. A luta urbana, está ficando pra trás. As bandeiras do Padre Bruno Sechi precisam continuar hasteadas.

Descanse em paz, homem santo de Deus.

Alexandre de Moraes acerta um dardo no coração de Bolsonaro.

O Supremo Tribunal Federal realiza sessão solene de abertura do Ano Judiciário de 2019. Na foto, o ministro Alexandre de Moraes. (BRASIL DE FATO)

Os blogueiros e políticos bolsonaristas foram feridos no coração pelas buscas e apreensão e agora reagem com mais ódio e ataques ao STF, principalmente ao Ministro Alexandre de Moraes.

Na redes sociais, incluindo WhatsApp, estão bombando as hashtag contra o STF e a decisão do Ministro Alexandre de Moraes, até esqueceram do Governador Estrume do Rio de Janeiro.

Entenda o motivo da raiva e o porque dos ataques:

O Ministro Alexandre de Moraes, com apoio da Policia Federal, através de delegados por ele blindados da influencia do Presidente da República na PF, descobriu o modo de operar dos bolsonaristas, para espalhar mentiras e ataques, usando as redes sociais, para destruir a reputação de adversários políticos e as instituições que não estão sobre seu controle ou fazendo o jogo políticos que desejam para o país.

Esta máquina de mentiras e ódios funciona com apoio financeiro de um grupo de empresários, através de uma caixinha, que arrecadaria R$2 milhões mensais. O dinheiro é distribuído para blogueiros e digitais influenciadores. Também é usado para pagar um sistema de robôs, que são máquinas programadas para distribuição de mensagens me massa.

O esquema se move com o presidente da república, seus ministros olavistas, os filhos, a bancada parlamentar e empresários dando a senha para os ataques. Um grupo produz as postagens com os conteúdos e estes são viralizados pelos apoiadores inscritos em grupos de whatsApp, por impulso pagos e artificialmente pelos robôs programados para este fim, usando o ódio como estratégia de adesão.

O Ministro Alexandre de Moraes, de posse dos laudos e das provas colhidas pelos investigadores, determinou a busca e apreensão residências dos blogueiros e dos financiadores, quebrando o sigilo destes últimos.

A bolsonaristas, feridos de morte no seu único meio de política suja, sabem que a coleta de vastas provas será fatal e por isso, partiram para o ataque ao inquérito e até a família do Ministro.

Para ficar claro, o Ministro não violou o direito de livre opinião e a liberdade de imprensa, esta estão garantidas constitucionalmente, o ato foi para coibir crimes que vem sendo cometidos com desenvoltura por uma pequeno grupo de pessoas, em favor de políticas que atentam contra a própria democracia.

Os bostas e os estrumes podem ser alvo da polícia política?

Sabe quando um coisa se parece tanto com outra? tipo: rosna como gato, tem pelo de gato, sobe no telhado, caça rato, só pode ser gato!

O Presidente da República diz que quer ter as informações e influenciar na PF. Diz que não vai aceitar f… seus parentes e amigos. Demite o Diretor Geral da Policia Federal. O Ministro da Justiça pede exoneração, por não aceitar a interferência, pede provas, as provas são robustas e comprovam o que o Ministro falou.

Depois da demissão de Sergio Moro, o Presidente troca Diretor e o superintendente da PF no Rio. Chama o Governador do Rio de estrume. Na esteira dos acontecimentos, a PF produz uma mega operação, tendo como alvo o Governador Estrume, inimigo político do Presidente, acusado por este de tentar prejudicar seus filhos e familiares.

Tudo leva a crer que estamos diante de uma ação política, mas como foi autorizada pelo STJ, dizem que pode ser tudo uma coincidência.

Bom, parece que nosso gato subiu no telhado.

O coronavírus expôs a péssima qualidade dos dirigentes brasileiros

Aerial view of coffins being buried at an area where new graves have been dug at the Parque Taruma cemetery, during the COVID-19 coronavirus pandemic in Manaus, Amazonas state, Brazil, on April 21, 2020. – Graves are being dug at a new area of the cemetery for suspected and confirmed victims of the COVID-19 coronavirus pandemic. (Photo by MICHAEL DANTAS / AFP)

As orientações para evitar mortes por contágio por COVID-19, durante a pandemia, declarada pela Organização Mundial da Saúde, OMS, eram simples e fácies de serem seguidas: Isolamento social da população, uso de máscaras, higienização com uso de álcool em gel, testagem em massa, aplicação de medicamentos experimentais, leitos de UTIs, com respiradores, políticas públicas de socorro aos setores mais vulneráveis da economia e transparência na divulgação dos dados e dos gastos públicos.

Nos estados e municípios, cujo administradores seguiram as orientações, tendo credibilidade e legitimidade para serem atendidos pela população, o resultado está expresso em números de contaminados e de vidas poupadas.

Infelizmente, os exemplos negativos de péssimos administradores são muitos, tanto na área público quanto nas empresas privadas. Mesmo entre as pessoas, foi possível observar um grande número dos que não tem amor pelo próximo, faltando-lhes empatia.

Da gripezinha, até hoje, o Brasil passou de mil mortos por dia. Nestes mais de 50 dias, desde que a pandemia foi declarada, conhecemos dirigentes que negaram a gravidade do vírus e da sua propagação. Fomos testemunhas das cenas de atos públicos e aglomerações realizadas como forma ostensiva de desobedecer as recomendações. Um medicamento, a cloroquina, passou a ser o símbolo de alinhamento ideológico de direita. Conhecemos cidades onde os prefeitos inauguraram tomógrafo sem ter funcionários para operar. Assistimos governador comprar respiradores por WhatsApp que não funcionaram. Soubemos, em meio a dor e o sofrimento, que não podemos confiar nos dados oficias do nosso país. Muito menos na transparências dos gastos. Quem pôde roubar, roubou.

Até dois Ministros da Saúde foram exonerados por não concordar em desobedecer as regras técnicas e sensatas em favor da defesa da vida da população. O substituto, um militar, emitiu protocolo de recomendação do uso de um medicamento de eficácia duvidosa no tratamento do coronavírus, mas sem a responsabilidade técnica e sem assinatura, um documento apócrifo para saúde pública de humanos.

Na empresa privada, também foram tristes os exemplos de empresas que não se preocuparam com seus clientes e com seus funcionários, funcionando para ter lucro sem se importar com a vida de quem lhes paga as contas. Teve até quem burlasse os decretos de essencialidade, simulando vender produtos de primeira necessidade junto com vasos sanitários.

Embora tudo isso seja lamentável, devemos ressaltar que o Sistema Único de Saúde – SUS, o maior sistema público de saúde do mundo, com seus profissionais abnegados, mesmo correndo risco de morte, salvou muitas vidas e confortou os doentes graves.

Vamos sair dessa, claro e logo em seguida iremos as urnas escolher novos prefeitos e novos vereadores. Eles serão os administradores que iremos colocar nos cargos públicos com a missão de manter o que deu certo durante a pandemia e corrigir todos os erros que resultaram em muitas mortes de amigos, conhecidos e familiares.

Bolsonaro e seu grupo pagarão pelos erros jurídicos e políticos no tratamento à pandemia

Foto: BBC

Recebo algumas postagem de bolsonaristas defendendo as posições do Presidente da República no tratamento das políticas de combate a COVID-19, confrontando governadores, prefeitos e até o STF.

Resolvi entrar de cabeça nos argumentos deles para mostrar aqui que são mentirosos e não se sustentam a perscrutação. Vamos a eles.

Quando se detectou as primeiras mortes, em 17 de março, e a OMS classificou o ataque da COVID-19 como pandemia, se o Presidente da República houvesse convidado governadores, prefeitos e juntos adotassem medidas para combater a transmissão e houvesse pensado na infraestrutura de UTIS e respiradores, quantas mortes teriam sido evitadas?

Quantas mortes podem ser atribuídas ao comportamento irresponsável do Presidente da República, que não respeitou o federalismo, estimulou aglomerações, a quebra do isolamento social e provocou a demissão de dois ministros da saúde em plena pandemia?

Quanto ao medicamento adequado para tratar e a fase de aplicação, isto é assunto de total responsabilidade de médicos, só eles podem prescrever a droga melhor para cada caso.

O Presidente da República, ao insistir em indicar uma droga de efeito duvidoso, intrometendo-se ilegalmente em uma atividade de saúde, poderá ser responsabilizado pela complicação advinda de efeitos colaterais em pacientes que usaram o medicamento por conta própria, induzidos pela sua manifestação?

Quanto a não ter adiado o carnaval para evitar que o vírus se propagasse, na época os governadores e prefeitos sabiam da pandemia e se sabiam, por que não cancelaram?

No caso do superfaturamento de compras para o combate a pandemia, elas existem, mas são casos isolados e estão sendo apuradas as responsabilidades.

No caso das prevenções, o isolamento vertical nunca a orientação do Ministério da Saúde, que orientou, desde o inicio, o isolamento social, o que tem se mostrado o mais eficiente.

No caso, não foi o STF quem disse que era competência de Governadores e Prefeitos regular as atividades econômicas, essa competência está clara na Constituição Federal e o Supremo Tribunal Federal não pode ter outro entendimento.

A União, através do Chefe do Poder Executivo deve respeitar o sistema federativo e se manter na sua estrita competência, dentre as quais apresentar um plano econômico para socorrer as empresas em tempos de pandemia e defesa da vida.

O Presidente da República e seu grupo político, por todos os fatos testemunhados pela sociedade brasileira cometeram dolosamente crime de responsabilidade e praticaram a má política e se não for responsabilidade pelo Congresso Nacional ou denunciado pelo PGR, Aras, a punição virá nas urnas.

* José Carlos Lima é advogado, consultor ambiental, foi deputado estadual e chefe da Casa Civil do Governo do Pará.

Bolsonaro veta ampliação de auxilio emergencial para profissionais de academia, de salão de beleza, taxistas, mototaxista e muitos outros

O Congresso Nacional aprovou ampliação do auxilio emergencial para diversas categorias e pessoas em situação concreta de necessidade, em virtude da pandemia e das medidas necessárias a proteção da vida, mas Bolsonaro vetou, sem dó nem piedade, que este recurso socorro os mais carentes e deliberadamente cria falsas polêmicas para tentar abafar o caso.

Dentre as categorias que não vão receber as três parcelas no valor de R$ 600,00, por causa do veto presidencial estão: família de idosos e deficientes com renda menor de 1/2 salário mínimo, família de pai solteiro que receberia em dobro, pescadores artesanais, aquicultores, agricultores familiares, extrativista, assentados, quilombolas, trabalhadores em arte e cultura, artistas de todos os ramos, taxistas, mototaxistas, motoristas de aplicativos, motoristas de vans e transportes escolares, entregadores de aplicativos, diaristas, agentes de turismo, ministros de confissões religiosas, trabalhadores de academias, barraqueiros de praias garçons, barbeiros, esteticistas, manicures, pedicures…

Para conhecer as demais profissão e as razões do veto presidencial, basta vir aqui neste link e acessar a manifestação presidencial: http://www.in.gov.br/web/dou/-/despachos-do-presidente-da-republica-256966859

Ao vetar a ampliação do auxilio emergencial, Bolsonaro optou mais uma vez pela economia e tomou uma medida que prejudica muitas pessoas que contavam com este auxilio, porém, ai que vem o estilo do Presidente de jogar com a estratégia dos “Engenheiros do Caos”, a qual me referi no artigo: Bolsonaro é o capitão da mentira e do caos.

O presidente, sabendo que vetaria a ampliação, fez alguns movimentos pensados: editou um decreto ampliando as atividades essências para incluir as atividades que estavam no projeto de lei de ampliação; voltou atacar e responsabilizar os governadores pela crise da economia; trouxe de volta a polêmica da cloroquina; seguiu dando entrevistas sobre o caso de sua interferência criminosa na Policia Federa; nesta sexta-feira, depois de publicar a maldade, atacou o presidente Fernando Henrique Cardosos: “Vão dizer que um presidente que fala palavrão não está à altura do cargo. Eu acho que não está à altura presidente que rouba. O que rouba e mete a mão, esse está à altura e fala bonito, fala manso, como o ex-presidente Boca Mole aí. Continua falando besteira por aí”

Para bagunça mais ainda o cenário político, Bolsonaro construiu a saída do recém-nomeado Ministro da Saúde, Nelson Teich, o segundo Ministro a deixar a pasta em plena pandemia. Para o seu lugar, pode ser indicado o deputado Osmar Terra, que concorda em tudo com as loucuras de flexibilizar as medidas de isolamento social.

Este joguete do Presidente de falar verdades e mentiras juntas para esconder as mentiras e diminuir os impactos das suas verdadeiras ações, aquelas que prejudicam o país em benefício de seus aliados, está ficando cada vez mais explicito.

Pouco interessa se FHC é boca mole ou se tivemos presidente ladrão. FHC é ex-presidente. Lula está condenado em duas instâncias do Poder Judiciário.

O que importa é que o atual Presidente da República não está dispostos a governar para unir o país e que todos os brasileiros saibam que o Bolsonaro negou pagar o auxilio aos brasileiros que estão sem renda por tentarem se proteger da contaminação de um vírus violento e de transmissão rápida, que provoca danos sistêmicos no organismo humano, matando um em cada cinco pessoas internadas, em poucas horas, principalmente os mais pobres.

Nem uma das justificativas do Presidente da República são suficientes para manutenção de seus vetos, estamos em uma emergência sanitária e com um orçamento de guerra aprovado. Cabe agora ao Poder Legislativo fazer justiça e derrubar o veto de Bolsonaro, garantindo os direitos dos mais pobres e vulneráveis da nossa sociedade.

Pensar o Brasil para depois da nossa vitória sobre o coronavírus.

Como vamos recuperar os empregos perdidos na pandemia, empregar os que já estavam desempregados antes dela e reerguer a nossa economia, depois que derrotarmos a COVID-19?

No cenário futuro, repleto de incertezas, ainda não é possível saber como será o “novo normal”.

Poderemos sair livremente às ruas, mantermos o ritmo de trabalho no meio público e as relações pessoais, voltaremos a nos tocar, nos abraçar, viver do mesmo jeito que vivíamos antes de sermos atingidos por este vírus desconhecido da ciência e que ainda nem tem perspectiva de vacina ou cura através de remédio eficaz?

São perguntas inevitáveis que precisam de respostas múltiplas, da união e dos esforços de todos, independente de lado e da posição que ocupamos na vida.

Antes da pandemia, o Brasil já acumulava um cenário econômico de crescimento negativo. Treze milhões de brasileiros estavam na condição de desempregados. Outros viviam em subemprego e uma parcela significativa trabalhava no mercado informal. O dólar subia, as bolsas despencavam e as medidas econômicas baseadas no liberalismo não davam sinais positivos de retomada do crescimento.

A necessidade de defender a vida das pessoas ameaçadas pela propagação veloz e da contaminação por um vírus novo; de proteger o sistema de saúde de um colapso; obrigou os brasileiros – como obrigou a população mundial – a adotar medidas amargas e optar pela vida, deixando a economia e o emprego em segundo plano.

Partimos do distanciamento, isolamento social e, em alguns lugares, chegamos até o confinamento (que o excesso de estrangeirismo chama de lokdown).

Todos sofreram diminuição de ganhos, mas foi o comércio, os serviços, os profissionais liberais, a área cultural, o turismo, as atividades que mais tiveram perdas com as medidas de combate ao coronavírus. As médias, pequenas empresas e os trabalhadores informais, viram suas pequenas popança derreter para sustentar os tempos de dificuldades.

Antes da crise sanitária, o projeto econômico do governo do presidente Jair Bolsonaro, falava em crescer diminuindo as despesas primárias, vendendo ativos, simplificando a burocracia, facilitando a entrada de investimentos estrangeiros.

O plano econômico focado simplesmente no mercado, foi contrariado com a necessidade do Estado forte, o único capaz de socorrer a população, através do seus sistema público de saúde, alias o maior do mundo, com aporte de recursos para área da saúde. O Estado foi chamado a auxiliar os estados e municípios que perderam receitas, disponibilizar ajuda as empresas e criar o auxilio emergencial para milhões de brasileiros sem renda.

O número de pessoas que acessaram o aplicativo para receber o auxilio de tão expressivo, assustou, desconfiávamos do número de pessoas vivendo em estado de pobreza e agora sabemos o CPF. As filas nas agências da Caixa Econômica e nas Lotéricas sensibilizaram os chips eletrônicos das máquinas produtoras de imagens registrando as enormes filas e os muitos acessos causou bug no aplicativo criado para o cadastro de quem tinha direito ao recurso.

O Presidente da República, dispondo apenas de uma carta econômica na manga, a receita liberal do Ministro Paulo Guedes, apelou para o malabarismo retórico tosco, grosseiro, violento, insensível, de tentar forçar as pessoas a voltar ao trabalho, quebrando as recomendações da OMS, mesmo isso significando risco de morte e pressão absurda sobre o sistema de saúde.

Os governadores e prefeitos sentiram a pressão da população acometida da infecção viral de um lado, do outro a reação de setores insuflados pelas declarações presidenciais, mas seguiram adotando as medidas de isolamento social e restrições das atividades econômicas para salvar o maior número possível de pessoas.

Tudo vai passar, toda pandemia vem, provoca estragos e vai, mas deixa seus efeitos e a responsabilidades para que as pessoas se reinventem e busquem superar as dificuldades que ficaram.

O Brasil é gigante, diverso, rico, criativo, já superou outras e superará mais esta crise.

A primeira lição é saber que todos os país brigarão pelas suas economias e nos devemos brigar pela nossa. Segundo, devemos olhar o que deu certo, o que funcionou e aperfeiçoa-lo. Terceiro é ver quem suportou e deu mais sacrifício, estes precisam ser compensados, apoiados, incentivados. A quarta, é ver quais as mudanças e novos hábitos ficarão para sempre em nossas vidas.

O Estado que todos diziam que só atrapalhava, era pesado, consumia muito recurso, foi o que cumpriu o papel decisivo no socorro as empresas, às pessoas e será ele que socorrerá o país na sua reconstrução econômica.

A pacto federativo não funcionou. A centralização em Brasília foi derrotada. O papel da União deve ser revisto. Os estados e os municípios foram decisivos na defesa das medidas sanitárias e na assistência direta às pessoas que precisaram de atenção à saúde.

O país deve reconhecer que o SUS foi um invenção brasileira que deu resultado, mas que precisará ser aperfeiçoado, com investimentos, tecnologia, incluindo aporte de recurso para pesquisa e formação de profissionais de saúde.

As empresas nacionais, com destaque as médias e pequenas, a agricultura familiar, cooperativa, os profissionais liberais, o trabalhador informal, o setor cultural, turístico e esportivo pagaram um preço alto para ajudar o país e serão elas que devem ser o alvo de todas as atenções de um plano econômico, baseado no pleno emprego e na sustentabilidade ambiental.

Os hábitos de higiene, distanciamento, de diminuição no consumo de supérfluo, o trabalho em casa que o vicio do estrangeirismo chama intimamente de home office), as compras remotas (lá vem de novo, on line), tudo isso ficará e mudará nosso modo de viver.

As nossas cidades, nossas áreas de lazer, nossas ruas e as nossas moradias, o nosso transporte público, precisam de novos formatos.

Os barracos das favelas e das baixadas, com casas apertadas, não são apropriadas para suportar outras crise sanitária e uma plano nacional de habitação digna se faz necessário.

Enquanto superamos a crise e lutamos para vencer o coronavírus, devemos logo começar a trabalhar para o futuro, que está bem ai, com a certeza que vamos sair dessa mais fortes e mais brasileiros.

Os poderes são independentes e harmônicos

Sobre a independência e a harmonia dos poderes, leia o que diz o art. 2.º, da Carta Constitucional Brasileira: “Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.

Sobre o tema, convém reproduzir o pensamento do constitucionalistas José Afonso da Silva;

A harmonia entre os poderes verifica-se primeiramente pelas normas de cortesia no trato recíproco e no respeito às prerrogativas e faculdades a que mutuamente todos têm direito. De outro lado, cabe assinalar que nem a divisão de funções entre os órgãos do poder nem sua independência são absolutas. Há interferências, que visam ao o estabelecimento de freios e contrapesos, à busca do equilíbrio necessário à realização do bem da coletividade e indispensável para evitar o arbítrio e o desmando de um em detrimento do outro e especialmente dos governados.

Estas lições deveriam fazer parte do currículo escolar desde os primeiros anos. Os brasileiros deveriam amar e respeitar os princípios republicanos e os valores democráticos, como se fossem sagrados.

Vamos ao caso concreto.

O presidente demitiu o Diretor Geral da PF e seu chefe imediato, o Ministro da Justiça, avisou publicamente a nação que o motivo desta demissão era a vontade do presidente da república de interferir diretamente na Policia Federal, instituição de estado, responsável por investigações em auxilio a todos os poderes.

Diante da suspeita de quebra de princípios básicos, como a separação dos poderes e como o princípio da impessoalidade, o STF, analisando uma ação proposta pelo PDT, decidiu cautelarmente suspender os efeitos do decreto de nomeação antes da posse, para que o Poder Executivo pudesse esclarecer as dúvidas surgidas quanto aos objetivos pretendidos com a troca do Diretor Geral da PF.

O Presidente da República, revogou o decreto sem querer explicar as intenções por trás da exoneração e a nomeação de um novo diretor geral da Polícia Federal, fazendo a ação perder o objeto. Mas em declaração pública, o Presidente partiu para cima do Poder Judiciário, deixando de lado as razões jurídicas, a harmonia, o respeito, para agredir o magistrado que emitiu da decisão. Não se furtando ainda de insuflar uma horda de seus apoiadores para atacar o STF, justamente o órgão do Poder Judiciário responsável por controlar o cumprimento fiel da Carta Magna.

Na monarquia, o poder estava concentrado nas mãos de uma só pessoas e derivava do poder divino. O monarca era o chefe do poder executivo, do legislativo e do judiciário, ao mesmo tempo. A concentração resultou em muitos arbítrios e violência, até que a nova classe rica, os burgueses, resolveram se unir aos camponeses para derrubar o monarca e o absolutismo.

O poder passou para as mãos do povo, que delega o exercício aos seus escolhidos em eleições,. O exercício é desconcentrado, impondo aos mesmo o controle de um sobre o outro, no chamado freios e contrapesos.

No Brasil, por sermos uma democracia recente, uma vez que fomos obrigados a sofrer diversos períodos autoritários, sendo o último um ferida aberta e não cicatrizada nas muitas vítimas, muito ainda deve ser feito para aperfeiçoar nossa república, o sistema de freios e contrapesos e o sistema de escolha, através de eleições limpas e participativas.

Melhorar, aperfeiçoar, tornar mais democrático, mais participativo é andar pra frente, mas o que o Presidente da República insinua e até faz gestos ousados é o retrocesso. Tudo indica que Jair Bolsonaro não se conforma com os limites de Chefe de Poder Executivo e nem com os conceitos básicos de democracia.

Repito aqui para ficar marcado, do jeito que está ainda não está bom, temos muito o que avançar para sermos uma democracia moderna, mas dar passos atrás, nunca.

Bolsonaro está cumprindo a Constituição Federal?

Por que muitas pessoas no Brasil não conseguem raciocinar além do governo em curso?

Não entendeu a pergunta?

Vou te explica-la, com exemplos.

Relembre algumas atitudes do atual presidente Jair Bolsonaro que você apoia, fazendo ou compartilhando postagens aberrantes nas redes sociais, achando-se o top dos intelectuais e o supra-sumo da coerência política.

Depois troque todas as atitudes que listou e que acha positivo de Bolsonaro, o nome do atual presidente, por uma governo imaginário de uma outro presidente que você não gosta, tipo o Lula, que você destila ódio todos os dias, por exemplo.

Se o que Bolsonaro está fazendo agora você concordaria que Lula fizesse, caso voltasse a ser presidente, então seu apoia as medidas do atual mandatário estão certas.

Se Lula demitisse o direito geral da PF e colocasse no seu lugar alguém que foi seu segurança pessoal e amigo dos seus filho, que estão sendo investigados, você apoiaria?

Se Lula desejasse saber com antecedências tudo que a PF está investigando, principalmente os casos que dizem respeito aos deputados corruptos do PT, você apoiaria?

Se Lula e o PT fizessem manifestações pedindo o fechamento do STF, do Congresso nacional e a implantação da ditadura do proletariado e do comunismo, você apoiaria?

Se Lula disse em meio a uma pandemia que tudo não passava de uma gripezinha você apoiaria?

Se Lula, que nunca frequentou uma faculdade, que não é médico, é um torneiro mecânico, formado a distância em curso profissional, indicasse a cloroquina como o melhor remédio para curar coronavírus, você apoiaria?

Se Lula mandasse abrir a economia no lugar de proteger a saúde da população você apoiaria?

Se o Lula trocasse o Ministro da Saúde em meio a uma pandemia e colocasse no seu lugar uma empresário da saúde privada que apoia o fim do isolamento social em plena crise sanitária, você apoiaria?

Então, meu amigo, reflita antes e aproveite a quarentena para buscar na internet tudo que diz respeito a democracia, a república e a todos os princípios constitucionais do art. 37, da nossa carta magna.

Art. 37. A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte:

https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/CON1988_05.10.1988/art_37_.asp