O Brasil fecha as portas para o Acordo Mercosul/União Europeia e prejudica o Pará

O acordo comercial Mercosul e União Europeia poderia representar a salvação da Amazônia e, em especial, a saída da condição de pobreza e de desigualdade para milhões pessoas. O Pará seria o Estado da região à receber os maiores benefícios proveniente deste acordo comercial, envolvendo um mercado consumidor gigante, calculado em 700 milhões de pessoas.

Mas o acordo anunciando como uma grande vitória da Política Externa do Presidente Jair Bolsonaro, está prestes a ser inviabilizado e duas são as razões: a negação do desmatamento da Floresta Amazônica e a intenção do Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles de passar uma boiada durante a pandemia e afrouxar as regras de defesa ambientais.

Leia mais nesta reportagem da BBC Brasil: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53470391

Vale ressaltar que mesmo sem o acordo nacional, o mercado europeu pode ser alcançado pelos produtores do Pará, bastando para isso que o Governo Estadual construa estratégias e um modelo de desenvolvimento compatível com as exigências dos consumidores daquele Continente.

A primeira providência é ambiental. Os Pará tem sido conivente com a devastação do meio ambiente e de sua imagem externa. Além de cruzar os braços para toda a destruição de garimpeiros e madeireiros criminosos, quando age provoca dúvidas nas suas intenções ambientais. Seja nas licenças, fiscalizações e até nas ações punitivas.

O caso mais emblemático e mais recente, foi o processo de acusação contra voluntários brigadistas e ONGs com apoio internacional, acusados injustamente de serem os responsáveis por colocar fogo na floresta, com prisões arbitrárias, cujo inquérito policial concluir por não concluir. O encerramento do inquérito não chegou a nenhuma conclusão, mas a imagem do Pará ficou manchada internacionalmente.

O Governo do Pará só tem olhos para mineração, soja e boi. Os produtos amazônico, desejo de consumo dos europeus, não recebem qualquer política de incentivo do estado.

Os nossos governantes contentam-se em receber os tributos de curto prazo para fazer obras duvidosas e eleitoreiras, para não dizer outros interesses.

Focar no mercado europeu e com eles manter relações comerciais e de outros interesses, elevaria o patamar economico e de desenvolvimento do Pará. Está opção é segura, representando o melhor caminho para um futuro sem pobreza.

A Pesca Artesanal não interessa ao Governo do Pará

Pesca artesanal, uma desconhecida do Governo do Pará

José Carlos Lima (Zé Carlos do PV) – consultor ambiental

Quatro pescadores, o barco com gelo, rancho e óleo diesel, saem todos os dias dos mais diversos portos, instalados nas vilas, as margens dos rios que desaguam na costa marítima e águas interiores bragantinas e que compõem a imensa região de mangue, rico em nutrientes. 

Partem em direção aos pontos de pesca, vão contribuir para gerar renda e alimento saudável aos mais diversos lares brasileiros. Quem é que não aprecia um bom peixe fresco?

No porto, as famílias ficam em barracos humildes, esperando pela volta segura dos tripulantes das embarcações pesqueiras, torcendo para que regressem com vida e trazendo o peixe bom. 

Também ficam a espera da produção os atravessadores, os compradores, os financiadores da empreitada, ávidos pelo fruto do trabalho de captura da pesca artesanal, para pô-los nos mais variados mercados de peixe.

Até chegar à grelha ou à panela, o peixe sai das águas por mãos humanas, calejadas das redes, do sol escaldante e do sal. São pessoas que se arriscam no mar, queimam a pele, ganham rugas, para viver do suor do próprio rosto e sonhar com um futuro digno, que entra maré, sai maré e nunca chega. 

Ao sair dos portos, pelo caminho, vão deixando pra trás as fuzarcas, as redes de apoitar, os crimes ambientais cometidos em plena Resex Marinha, sem fiscalização, por falta de pessoal e estrutura, não atuam na proteção dos recursos naturais. 

O ICMBio, Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, órgão federal, responsável por cuidar das unidades de conservação federal, possui escritório na cidade de Bragança, mas não tem pessoal suficiente e nem equipamento, não possui uma lancha para patrulhar a área, atender um chamado ou uma denuncia de captura ilegal, como é o caso da captura de Mero, que embora esteja ameaçado de extinção, aparece sendo comercializado no mercado local sem qualquer importunação.

O uso de malhadeiras proibidas é responsável pela captura de pequenos peixes, muitos dos quais, sem valor comercial, são mortos e jogados fora. A diminuição destes pequenos peixes coloca em risco o estoque pesqueiro e a produção. 

A refeição a bordo das pequenas embarcações, também, pois é feita com os peixes menores e fica comprometida por causa da escassez.  

Os pescadores artesanais, responsáveis pelo abastecimento do mercado de peixe do país, vão navegar por horas até o ponto de pesca. Passarão pelas águas barrentas da foz, as águas verdes, até alcançar o mar azul, onde só se vê os astros, as estrelas e os cardumes de bijupirá, cujo dorso pode ser observado passando pela flor d’água 

Serão oito dias de uma intensa rotina e perigo, principalmente de ser atropelados por um navio de grande porte, navegando no piloto automática, em rota pré-definida. 

Sem instrumentos modernos, os pilotos dos barquinhos apelam para experiência. Quando avistam apenas uma luz vermelha, o navio passará ao largo, mas quando se enxerga duas luzes vermelhas é o desespero de  puxar as redes e se afastar o mais rápido possível antes da quilha de ferro, empurrada por motores possantes, esmagarem a madeira molhada do pequeno e frágil barco, provocando o naufrágio dos seus ocupantes. 

Já no ponto de pesca, é hora de soltar quatro mil metros ou mais de redes, amarrá-la ao barco e deixá-la pescando por quatro horas seguidas, enquanto o barco desce puxado pela força da maré. 

A embarcação segue na força da correnteza, os homens a bordo se preparam para comer e descansar no intenso balançar do barco, até chegar a hora de puxar a rede, conferir a produção, colocar tudo no gelo e voltar ao ponto de partida para reiniciar a rotina, que será assim dia após dia, até chegar a hora de voltar ao porto, extenuado, vender a produção, ter alguns poucos dias de vivência familiar, que é dividido com a preparação para uma nova pescaria, ciclo que só se encerrará quando não houver mais força física, consumida pela labuta.

“A atividade pesqueira de pequena escala na região estuarina do Rio Caeté é de grande importância para economia da região e movimenta aproximadamente 4 milhões de reais e mais de 3.000 toneladas de pescado ano”, conclui a tese: Desembarque da pesca de pequena escala no município de Bragança- Pa: esforço de produção, assinada por Roberto Vilhena do Espirito Santo e Victória Judith Isaac. 

Dez espécies são responsáveis por 80% do total desembarcado. Porém, as especieis que mais se destacam são: bandeirado, pescada gó, pescada amarela, corvina, bagre e a pratiqueira.

O estado do Pará, sozinho, é o maior produtor de pescado do Brasil em volume e espécies. A produção paraense atinge 15,5% de tudo que se produz no país. Parte significativa desta produção, mais de 75%, é proveniente da pesca artesanal, sendo a pesca realizada em aguas costeiras, estuarias e interior.

A pesca artesanal também é praticada no lago de Tucuruí, nos diversos rios paraenses e no interior da Ilha do Marajó. Cada uma com sua especificidade. 

Embora o Pará ocupe lugar significativo na produção nacional, o Governo do Estado pouco investe neste setor e não dispõe de políticas públicas significativas voltadas para organização da produção, incorporação de técnicas ao saber pratico transmitido por gerações, comercialização e qualidade de vida das pessoas que se dedicam a atividade pesqueira em seu território. 

Do orçamento geral do estado para o exercício de 2020 (R$ 27 bilhões) o Governo do Estado não tem um só programa para pesca, destinando apenas R$ 290 mil para aquicultura, especificamente para implantação de viveiros. 

O pescador artesanal não frequenta escola de pesca, aprende a pescar na prática, com outros pescadores mais experientes. A maioria aprende com o pai ou com um parente próximo. O pai pescador geralmente transmite a um filho os conhecimentos práticos da arte de capturar os peixes. Ensina quais os petrechos, a arte da navegação, como se livrar dos insetos que vem do mangue, os movimentos da maré e da lua, os caminhos do mar e os pontos mais piscosos da região. São segredos passados de pais para filhos como se fazia desde antigamente.

Os pais pescadores, por saber dos sacrifícios, das agruras, dos dissabores e até dos perigos,  geralmente evitam que todos filhos sigam sua profissão, apostando na educação, com ajuda da mãe, que na verdade é quem cuida da prole, para tirá-los deste caminho que não acham ter futuro, mas sempre tem aquele filho, que por alguma razão, perde o interesse pelo estudos, pois é justamente o filho que acaba herdando do pai os conhecimentos do ofício de “Simão Pedro”. 

Em Bragança, o Instituto Federal do Pará e a Universidade Federal do Pará ofertam cursos técnicos e em grau universitário na área de pesca e aquicultura, mas, contraditoriamente, estes cursos não são frequentados pelos filhos dos pescadores e o motivo é triste, os que tem habilidade prática da pesca não tem estudos suficientes para ingressar no ensino médio e universitário. Já os que ingressam neste curso, porque passaram nas provas seletivas, acabam não exercendo a profissão para qual estudaram. 

Ao atracar no porto, a pequena tripulação ainda não pode descansar, três ainda são as tarefas: a comercialização, o processo de divisão do esforço de pesca e limpar as ferramentas, remendar as redes, reparar a embarcação.

O que foi pescado é logo negociado. Quem estipula o preço, geralmente, são os compradores. O preço depende da relação entre o dono do barco e o atravessador, que financiou o gelo, os víveres, o óleo diesel. O pescador fica obrigado a vender-lhe tudo e pelo preço um pouco mais baixo do que oferece o mercado. 

Feita a venda. Apurado o resultado. A divisão, com a tripulação, composta, geralmente, por quatro membros, é feita da seguinte forma: retira-se as despesas do barco e o saldo é dividido em cotas, ficando o dono do barco com duas cotas. 

O pescador não tem dinheiro para financiar a pescaria e nem tempo ou habilidade para comercialização. Estes são fatores decisivos que os mantem atrelado ao sistema de comercialização através do atravessador. 

Também por estes dois motivos, as várias tentativas para criar cooperativas de comercialização, com o protagonismo dos próprios pescadores, naufragaram.

De cada R$100,00 pagos pelo consumidor, R$ 58,60 são apropriados pelos agentes de comercialização e R$ 41,409 reais pelos pescadores, apontou a pesquisa citada. 

Sem cooperativa, sem assistência técnica, sem políticas públicas consistentes, deveriam ter voz através de suas organizações, mas também ai os pescadores são desassistidos. 

A organização dos pescadores é Colônias de Pescadores, regulado pela Lei Federal n.º 11.699/2008, que prever a total liberdade de organização, ou seja, as colônias são livres para criar suas próprias regras internas.  

Na maioria, estas colônias são controladas por velhas lideranças e seus familiares, que usam dessas organizações como um meio de vida, como se fosse propriedade privada, aproveitando-se do pouco nível de consciência política e do pouco tempo que o pescador dispõe para se dedicar as atividade associativas, para manter o controle político e eleitoral. 

As colônias oferecem muito pouco em termo de defesa da classe, contentando em dispor de um pequeno cardápio assistencialista, principalmente o encaminhamento para acessar a aposentadoria. 

Na região bragantina, nem todo pescador tem acesso ao seguro defeso, apenas os que estão ligados à atividade de pesca industrial de pargo e de lagosta, conseguem preencher os requisitos legais para fazer jus ao benefício.

A pesca é um importante atividade econômica paraenses, mas para agregar valor ao produtor, melhor ganho de produção e qualidade de vida aos trabalhadores da pesca será necessário que o Governo do Estado adote políticas públicas executadas com apoio técnico e financiada por programas consistentes e contínuos.  

PF desmonta quadrilha de desmatadores em Altamira, Brasil Novo, Medicilândia e Uruará

O juiz federal substituto da 4ª Vara Gilson Vieira Filho determinou o afastamento de agentes públicos suspeitos de integrar uma organização criminosa formada por madeireiros, servidores públicos das secretarias municipais de Meio Ambiente, advogados e engenheiros florestais.

A ação da Polícia Federal, autorizada pela Justiça Federal, visou desmontar uma quadrilha de agentes públicos que davam cobertura ao desmatamento e a comercialização de madeira nos municípios de Altamira, Brasil Novo, Medicilândia e Uruará.

O policial rodoviário federal Valderson Vargens da Silva, o policial civil Sérgio Roberto Dias Caldeira e o policial militar Climi Cleber Pinheiro Soares foram afastados do emprego ou função pública.

Wesley Storch, secretário municipal de Meio Ambiente e Turismo de Altamira(SEMAT), Lúcio Francisco de Paula Costa, coordenador da Secretaria de Meio Ambiente da SEMAT de Altamira, Lucas Gomes de Alvarenga Shubert, assessor jurídico da SEMAT de Altamira, e Verbena Regina Sá Brito, assessora jurídica da SEMMA de Brasil Novo, também foram afastados de suas funções.

O sigilo da decisão que ordenou a operação foi levantado na tarde desta quarta-feira (29) pelo juiz federal da 4ª Vara, Antônio Carlos Campelo.

Quem estraga a política são os políticos sabinos

O deputado federal Celso Sabino pediu inscrição como candidato a prefeito de Belém pelo PSDB.

O pediu, segundo anunciou a coluna do Bacana foi protocolado perante a Executiva Municipal.

Tudo seria normal se não fosse os fatos protagonizados pelo próprio Sabino, que o descredencia dessa pretensão política.

Ele é ainda filiado ao PSDB, deputado federal pela legenda e eleitor de Belém.

Ocorre que Celso Sabino, logo após eleito, diga-se por obra e graça do apoio da máquina, se afastou do ninho tucano e sua irmã foi confirmada na JUCEPA pelo Governador Helder Barbalho. Mostrando sua inclinação por governos de plantão.

O deputado Sabino controla o Partido Solidariedade e só ainda não se filiou nesta sua nova legenda para não perder o mandato por infidelidade.

Note-se ainda que o controle do PSDB municipal de Belém é do prefeito Zenaldo Coutinho que está comandando sua própria sucessão e nesta articulação o Deputado Celso não tem espaço.

O deputado Celso Sabino sabe que não tem qualquer simpatia dentro do PSDB Municipal e muito menos manteria o leque de partido aliados ao prefeito, por isso tem chance reduzidíssima de apoio oficial para sua pretensão.

Sabedor dessa pouca chance, por que Sabino pleiteia a vaga de candidato municipal pelo PSDB?

Aqui é que morar a razão do título deste artigo.

O Deputado age de caso pensado para melar o jogo, criar dificuldades e usar tudo como moeda de negociações. Sua movimentação, com certeza, está sendo comemorada pelos estrategistas do MDB e de outras legendas com pretensões em dirigir os destinos da Capital Paraense.

Neste episódio e em outros, o que menos interessa são os problemas das pessoas que moram na cidade de Belém e precisam dos servos públicos de transporte, moradia, emprego, saneamento, arborização, cultura, lazer.

Estas manobras dos políticos sabinos, que usam a política para seus objetivos de poder pessoal, desprezando a principal função desta nobre atividade, que é servir os interesses coletivos, é que provocam a desconfiança da população e fazem o povo achar que todos os políticos são iguais, nunca se dão respeito e nem respeitam o desejo popular.

Apresentadora foi proibida de exibir matéria sobre torturas nos presídios do Pará

“Eu fui censurada. Como estava explicando para vocês, eu ia reestrear nessa emissora de televisão hoje. (…) Estava tudo certo. Programa pronto, matéria gravada. Editor se dedicou para fazer um bom programa para vocês, esse compromisso que nós temos com a verdade. Mas eu não imaginava que eu fosse esbarra com o que tem acontecido aqui no Estado do Pará. 
— Ler em blogamazonlive.blogspot.com/2020/07/apresentadora-foi-proibida-de-exibir.html

Espaço Aberto: Simão Jatene bate o martelo e anuncia que não será candidato a prefeito de Belém em novembro

O ex-governador Simão Jatene (PSDB) anunciou na última terça-feira (21), em reunião realizada no escritório do PSB, que não será candidato a prefeito de Belém nas eleições de novembro. O prefeito tucano Zenaldo Coutinho esteve presente ao encontro,
— Ler em blogdoespacoaberto.blogspot.com/2020/07/simao-jatene-bate-o-martelo-e-anuncia.html

Por que o Pará elege tantos políticos populistas e corruptos?

Em 7 de cada 10 lares paraenses alguém recebeu auxílio emergencial no Pará.

O que isso quer dizer?

Somos um estado rico com um povo pobre. Um povo que vive de favores governamentais, sem autonomia pessoal, sem orgulho de manter com dignidade sua família. Dependente e suscetível a ser enganado por políticos corruptos e populistas.

Por isso, insisto que o bom Governador e o político correto será aquele capaz de fazer um transformação econômica para gerar emprego e distribuir renda.

Esse negócio de asfalto pra cá, asfalto pra lá não muda a vida das famílias em nada, até porque o asfalto é caro, retira dinheiro público de outras áreas importantes, enriquece poucos, permite corruptos desviarem recursos públicos e de tão mal feito, dura só até o próximo inverno ou a próxima eleição.

O Pará, por ser pobre, é o nono estado impactado pelo Auxilio Emergencial

Os municípios do Pará estão entre os maiores beneficiários do auxilio emergencial, dizia o texto do jornalista Thiago Vilarins, publicado no Jornal O Liberal deste domingo, noticiando uma pesquisa liderada pelo economista Écio Costa da Universidade Federal de Pernambuco e por Marcelo Freire, da Secretário de Desenvolvimento Econômico daquele mesmo Estado.

E realmente os números apontam nesta direção, mas numa leitura mais acurada revelam outros fatos.

O Pará terá a receber R$9.883.983.000,00, quando for pago as sete parcelas previstas pelo programa de Renda Básica. O impacto na economia dos municípios será muito forte. 30% dos municípios paraenses terão ganho de 5% no PIB. Em Santarém Novo o impacto será de 27,22% e em Terra Alta, 24,30%. O nosso Estado é o 9.º que mais vai receber recurso do programa.

Os primeiro números da pesquisa sobre o Auxilio Emergencial suscitaram em mim um turbilhão de indagações e certeza.

As universidades ou instituições paraenses estão preocupadas em estudar e entender este fenômeno? A SEDEME – Secretaria de Desenvolvimento Econômico Turismo e Mineração do Pará está atenta ao reflexo deste programa? O que irá acontecer com as pessoas depois que cessar o pagamento deste auxilio emergencial? Será que a economia reagirá, gerando emprego para ocupar esta mão de obra?

Já deves estar dizendo: falou das indagações e ainda não citou a certeza.

Pois bem, o Auxilio Emergencial revelou a nossa condição de um estado rico com um povo absurdamente pobre, pois para receber o auxilio a pessoas deve preencher as seguintes condições, segundo o que está na Lei e no site da Caixa Econômica Federal.

As pessoas que se inscreveram e receberam o auxilio no Pará e estão nestas condições listadas pela Lei, somam 2,7 milhões de paraenses. Isto significa que 33,4% da nossa população adulta, tem renda abaixo de meio salário mínimo e depende de programas sociais.

Dos inscritos, 80% são pessoas que já recebem bolsa família ou são beneficiárias dos programas federais. Apenas 20% receberam acessando o aplicativo da Caixa.

Os dois municípios com maior impacto no PIB, Santarém Novo e Terra Alta são espelhos da fragilidade econômica detectada pela pesquisa da UFPE.

Santarém Novo tem uma população de 6.141 habitantes e um taxa de ocupação de 4,6%. Terra Alta, por seu turno, não fica atrás, com 10.262 habitantes, tem uma taxa de ocupação de 5,4%.

Pergunto a você: e o Pará não é exportador de boi, de soja e minério? Não somos um estado rico em biodiversidade, em geração de energia?

Somos, claro! Sei que você sabe que somos muitos ricos.

O Pará é o maior produtor de energia do Brasil. O Estado com maior investimento em exploração mineral e uma potencia em produção de soja e carne.

Mas essa riqueza toda é concentrada nas mãos de poucos empresas e pessoas, gerando um baixo nível de distribuição de renda e emprego.

Os tributos gerados pela venda de todos estes produtos não faz do Pará um estado arrecadador?

Claro que sim. Mas o modelo de administração pública praticado aqui é perdulário e ineficiente.

Gastasse muito em atividade meio, sem contar com o ralo da corrupção e dos altos salários para castas de servidores públicos.

Diante desta triste realidade, a pergunta obvia é, o que fazer?

Juro que não sei!

Até sei, mas o caminho para mudar essa realidade é longo e depende muito de uma sociedade forte, informada, dona de uma utopia e disposta a lutar pelo seu futuro.

Um primeiro passo seria a vontade de querer deixar de ser enganada por discursos vazios, populistas e oportunistas.

Melhorar o baixo nível dos vereadores e prefeitos de algumas cidades paraenses, que administram apenas de olho no cofre público, no benefício de seus próximos e nas próximas eleições.

A elite local que nos domina e empresta apoio a pior classe política do país parece muito com os antigos colonizadores e exploradores de produtos da florestas. Eles mandava colher, vendiam e iam gastar na Europa. Na volta, suas damas olhavam com desdém para a mulatas e caboclos de pele marcada pelo trabalho duro de sol a sol, pela coleta da borracha, do corte da madeira, do plantio, do roçado ou da lavagem de roupas em tinas enormes cheias de linhos importados, para alimentar os faustos de seus amos.

Tenho esperança, claro que sim. Mas não agora, neste tempo atual, com essa gente de visão curta que nos governa. Num futuro próximo sim. Num tempo em que ao ler os dados de uma pesquisa tão chocante, as pessoas tenha atitudes. Hoje, sei que nem leram e os que leram acharam tudo muito normal.

UBSs fluviais, presente de grego para os municípios

O Senador Jader Barbalho festeja a chegada aos municípios das primeiras Unidades Básicas de Saúde Fluvial, adquirida com as emendas apontadas pelo seu mandato ao Orçamento da União.

O primeiro município a receber a UBS Fluvial foi a pobre Oeiras do Pará, segundo a informação postada na matéria publicada na edição de domingo, 05/07, no Diário do Pará.

Cada UBS Fluvial sairá por R$1,8 milhões, quase o mesmo valor das UBS tradicionais e está planejada para ser usada em atendimento aos ribeirinhos, funcionando com uma equipe composta por profissionais de saúde e embarcadiços, quase no mesmo número que a equipe da atividade fim.

Não é a primeira tentativa de criar unidade de saúde adaptadas para região amazônica, usando os rios como meio de locomoção, visando atender os ribeirinhos, uma parcela significativa da população paraense, sempre esquecida e com pouca política pública.

Todas as outras tentativas anteriores fracassaram, como será, provavelmente o caso dessas UBSs, que servem apenas para jogar dinheiro fora, com os barcos e lanchas fundeadas nos portos das cidades paraenses, como foram as ambulanchas a gasolina, sem servir ao propósito para o qual se destinam, transformando em verdadeiros presentes de grego.

Vou explicar ao caso, para não dizerem que estou agourando ou jogando “psica”, ao contrário queria tanto que fosse um sucesso, mas não tem como ser e o Senador Jader, que tem experiência, sabe que não será.

Geralmente estes barcos são construídos em estaleiros fora da Amazônia, sem ouvir nossos caboclos, práticos e profundos conhecedores das navegação local. Também não ouvem os profissionais de saúde acostumados a servir as populações das beiras dos rios e furos. Sem esse acompanhamento, as especificações não se adaptam as especificidades da navegação dos nossos rios. O uso diário mostra a ineficiência e custo elevado.

A UBS Fluvial terá um custo de funcionamento que envolve salários das duas equipes permanentes, material para uso nos tratamentos de saúde, alimentação dos tripulantes e equipe de saúde, combustível e manutenção constante da embarcação.

Calculo que para funcionar plenamente uma UBS Fluvial desse porte consuma mensalmente em torno de R$ 700 mil mês da receita combalida dos municípios.

Poucos serão os municípios que, mesmo necessitando deste serviço de saúde, terão receita própria para manter o custo de funcionamento de uma unidade dessas.

Os primeiros meses de funcionamento, deverão ser suportado exclusivamente pela receita do município. O Ministério da Saúde, entra posteriormente, providenciando uma parte do valor, de acordo com os procedimentos e a tabela do SUS, que não está adaptada para suportar preços das despesas amazônicas.

Queria que o Senador Jader Barbalho provasse o meu engano, mas o resultado, infelizmente, vai ser um festa na chegada da embarcação e muita tristeza aos vê-las paradas, apodrecendo nos portos das cidades, enquanto as famílias dos ribeirinhos estarão mais uma vez desprovidas do serviço público.

Quando pensares em algo para Amazônia, por favor, ouve quem mora aqui, na beira do rio, nas várzeas, nas ilhas, nos furos. O caboclo sabe como fazer melhor, mais rápido e mais barato. Pode ser que isso não interesse para Brasília, mas é dinheiro público e sonhos que se vão.